América Latina

Pelo menos 214 morrem em tremor de magnitude 8,8 no Chile

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O número de mortos devido ao terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o centro-sul do Chile neste sábado aumentou novamente e pelo menos 214 pessoas morreram de acordo com informações do ministro do Interior chileno, Edmundo Perez Yoma.

No entanto, de acordo com a diretora do Escritório Nacional de Emergências do Ministério do Interior, Carmen Fernández, este número "muda de minuto a minuto".

O terremoto causou danos em várias regiões do país, destruindo pontes, prédios e estradas, incluindo na capital, Santiago, onde uma fábrica de produtos químicos foi destruída por um incêndio.

A eletricidade, fornecimento de água e serviços telefônicos foram interrompidos. Centenas de milhares de pessoas teriam sido afetadas pelo tremor.

De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, por sua sigla em Inglês), o terremoto teve seu epicentro a 35 quilômetros de profundidade, na região de Bío-Bío, a cerca de 320 quilômetros ao sul da capital chilena, Santiago, e 91 quilômetros ao norte de Concepción.

O USGS também registrou outras dezenas de tremores depois do primeiro. O mais forte dele alcançou magnitude de 6,9, o que levou as autoridades chilenas a pedir aos moradores que permaneçam em casa.

A presidente chilena Michelle Bachelet declarou "estado de catástrofe" em cinco regiões do país, incluindo a capital, Santiago.

"Não estamos falando de estado de catástrofe como estado constitucional. Estamos falando de zonas afetadas por catástrofe", o que significa mais "facilidades institucionais para responder à crise (...) recursos extraordinários e atribuições extraordinárias", afirmou a presidente.

Em uma entrevista coletiva na tarde deste sábado, Bachelet pediu paciência às pessoas e afirmou que há problemas de fornecimento de eletricidade "que não serão resolvidos de um dia para outro". Segundo ela, regiões que ainda contam com abastecimento de água poderão ajudar as regiões cujo fornecimento foi interrompido.

"Foi um grande tremor, mas as instituições estão funcionando", acrescentou a presidente.

"O Chile é uma região de catástrofes, já tivemos muitos terremotos, mas este é o mais grave que tivemos nos últimos 30 anos", afirmou o presidente eleito do Chile Sebastián Piñera, que também declarou seu apoio total ao atual governo chileno.

Tsunami

Carros destruídos em Viña del Mar

A destruição do terremoto também atingiu Viña del Mar

Em Washington, o presidente americano, Barack Obama, ofereceu ajuda para o governo do Chile.

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O alerta de tsunami foi emitido para as zonas costeiras do Chile, Equador e Peru, e depois estendido para a Colômbia, Panamá, Costa Rica e Antártida além de vários outros países do Japão à Nova Zelândia.

Vários países banhados pelo Oceano Pacífico foram atingidos por ondas mais altas do que o normal. Na Polinésia Francesa as ondas chegaram a 1,8 metro, mas não há informações de danos.

Sirenes de alerta foram disparadas para que as pessoas fossem para terrenos mais altos na Polinésia Francesa e no Havaí, que teve o alerta de tsunami suspenso horas depois que as primeiras ondas atingiram a ilha sem causar maiores danos.

As ondas chegaram ao Havaí 15 horas depois. Apesar da previsão de ondas de até 2,5 metros atingirem a região, segundo correspondentes as ilhas não foram atingidas por ondas maiores do que as observadas em um dia de tempestade sem maiores consequências.

No entanto, as pessoas obedeceram aos alertas dados pelo governo. De acordo com Mark Platte, editor do jornal Honolulu Advertiser, "as ruas estão vazias, parques aquáticos estão fechados e as praias também".

Grandes ondas teriam atingido o arquipélago de Juan Fernandez, chegando a uma área não habitada. Cinco pessoas teriam morrido e várias outras estão desaparecidas, de acordo com a imprensa local e dois navios de ajuda já estariam a caminho da região. Na região de Valparaíso, a oeste de Santiago, também foi atingida por uma onda de 1,69 metro acima do nível normal do mar.

'Interminável'

Imagens de televisão mostraram que uma grande ponte na cidade de Concepción desabou no rio Bío-Bío. Equipes de resgate estão tendo dificuldades para chegar a Concepción devido aos danos à infraestrutura da região, de acordo com relatos da televisão chilena.

Pelo menos 85 pessoas morreram na região de Maule, de acordo com jornalistas locais.

Moradores das zonas atingidas pelo terremoto descreveram o tremor como "interminável", e o estado de choque foi sentido nas ruas, em meio a casas destruídas.

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Muitas mortes também foram registradas nas regiões de Santiago, O'Higgins, Bío-Bío, Araucania e Valparaíso.

Na capital chilena, Santiago, o tremor foi sentido durante um minuto e várias áreas ficaram sem eletricidade. O aeroporto de Santiago também sofreu danos devido ao terremoto e deve permanecer fechado por, pelo menos, 72 horas, com voos desviados para Mendoza, na Argentina.

A imprensa local relatou que há estradas destruídas e bloqueadas e muitas pessoas estão acampadas nas ruas. Vários hospitais tiveram que ser evacuados por terem sofrido danos em suas estruturas.

Graciela Martín, de Mendoza, no lado argentino da fronteira andina, afirmou que "deste lado da fronteira, sentimos um tremor de cerca de um minuto."

Há inclusive depoimentos de pessoas que dizem ter sentido os efeitos no Brasil. A Defesa Civil de São Paulo confirmou os relatos, mas disse que não há danos ou vítimas.

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O maior terremoto a atingir o Chile no século 20 foi um tremor de magnitude 9,5, que atingiu a cidade de Valdívia em 1960, deixando 1.655 mortos.

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