Dois fortes tremores secundários geram pânico no Chile

Soldado monitora ruas destruídas em Concepción
Image caption Soldados monitoram as ruas de Concepción, destruída pelo terremoto

Dois fortes tremores secundários, de 5,9 e 6 de magnitude, atingiram nesta quarta-feira as áreas devastadas pelos terremotos do último sábado no Chile, gerando pânico.

As réplicas nas regiões de Bío Bío e Maule (centro do país) não chegaram a provocar alertas de tsunami. Segundo o Escritório de Emergência e Informação do Chile (Onemi, na sigla em espanhol), o movimento “não reuniu as condições necessárias para gerar um alerta na costa do Chile”.

Alguns residentes da cidade de Concepción, uma das mais atingidas pelo tremor, correram para locais mais altos para tentar se proteger.

No sábado, um tremor de 8.8 graus de magnitude atingiu o país, mas muitos terremotos secundários foram registrados a seguir.

Na segunda-feira, somente 48 horas depois do tremor principal, a agência geológica americana (USGS, na sigla em inglês), que monitora abalos sísmicos em todo o planeta, indicava que cerca de 150 réplicas de magnitude superior a 4,5 já haviam atingido o Chile.

O governo chileno já confirmou a morte de 802 pessoas em decorrência dos tremores. Destas, mais de 500 foram vítimas dos tsunamis que atingiram a costa do país.

Leia também na BBC Brasil: Áreas afetadas por tsunamis têm maioria das mortes no Chile

Ajuda humanitária

Os tremores secundários atingiram o país no momento em que as autoridades estão trabalhando para acelerar a distribuição de ajuda humanitária

Nesta quarta-feira, a presidente do Chile, Michelle Bachelet, negou a existência de uma crise de abastecimento de alimentos ou de combustíveis no país.

“Aqui não há desabastecimento. Há alimentos suficientes e combustível também. É preciso ter tranquilidade nos lugares onde são realizadas as distribuições (de alimentos)”, disse.

As declarações da presidente foram feitas após reunião ministerial que contou com a participação do setor empresarial.

“Pedi aos empresários que buscássemos de todas as formas necessárias para proteger os empregos. Não queremos que todo esse drama, de quem perdeu parentes e suas casas, fique ainda pior com a desocupação", disse.

'Às portas do desenvolvimento'

Segundo a presidente, antes da catástrofe, o Chile estava “às portas do desenvolvimento” e, em sua opinião, o país “está em condições de se reerguer”.

Este ano, Chile foi o primeiro país da América do Sul a entrar para a Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), definida como clube dos países ricos.

O país vinha sendo elogiado pela forte redução da pobreza, apesar de ter ampliado a brecha social entre os que mais ganham e os que menos ganham.

No seu discurso desta quarta-feira, a presidente disse que a meta agora é atender, primeiro, as situações de emergência e depois “trabalhar juntos” para a reconstrução do Chile.

Segundo Bachelet, o serviço de energia elétrica já está sendo restabelecido em Maule e Bío Bío, mas o porto de Tacahuano está paralisado e o desastre, afirmou, afetou diferentes setores da economia, como agricultura, pesca e fábricas de celulose.

Ela reiterou que “castigará com a força da lei” aqueles que saquearem ou cometerem “vandalismo”. Ela disse que “levar uma máquina de lavar não é necessidade”.

Na terça-feira, ministros da equipe de Bachelet disseram que nenhuma área do país continua isolada.

'Pouco enfático'

Também na terça-feira, o comandante da Marinha, almirante Edmundo González, disse em entrevista à TVN que a corporação enviou dois alertas de tsunami ao Onemi, mas que o serviço foi “pouco enfático” sobre os riscos, indicando que houve um erro no caso.

“O epicentro foi na terra. Por isso, não deveria haver tsunami”, foi a informação dada à presidente pelo Serviço Hidrográfico e Oceonográfico (SHOA), ligado à Marinha, de acordo com reportagem do jornal chileno El Mercurio.

“A presidente ligou para o SHOA por volta das 5h15 para saber se era mantido o alerta que tínhamos feito 1h10 antes (pouco depois do terremoto). Fomos pouco claros na informação que lhe demos."

"Não fomos suficientemente precisos para dizer a presidente se se mantinha ou se cancelava o alerta. Titubeamos”, disse o almirante.

Colaborou Márcia Carmo, de Buenos Aires