Presidente nega crise de abastecimento no Chile

Ajuda humanitária no Chile
Image caption A presidente pediu calma nos lugares em que há distribuição de alimentos

A presidente do Chile, Michelle Bachelet, negou nesta quarta-feira a existência de uma crise de abastecimento de alimentos ou de combustíveis no país, após terremotos e tsunamis que arrasaram várias cidades chilenas desde o sábado.

“Aqui não há desabastecimento. Há alimentos suficientes e combustível também. É preciso ter tranquilidade nos lugares onde são realizadas as distribuições (de alimentos)”, disse.

As declarações da presidente foram feitas após reunião ministerial que contou com a participação do setor empresarial.

“Pedi aos empresários que buscássemos de todas as formas necessárias para proteger os empregos. Não queremos que todo esse drama, de quem perdeu parentes e suas casas, fique ainda pior com a desocupação”, disse.

Leia mais na BBC Brasil: Chile amplia toque de recolher e soldados nas ruas

Pelo menos 799 pessoas após o terremoto de magnitude 8,8 que atingiu o país no sábado. Depois do terremoto, o país foi sacudido por vários tremores menores e por tsunamis, que aumentaram o número de vítimas fatais.

'Às portas do desenvolvimento'

Segundo a presidente, antes da catástrofe, o Chile estava “às portas do desenvolvimento” e, em sua opinião, o país “está em condições de se reerguer”.

Este ano, Chile foi o primeiro país da América do Sul a entrar para a Organização de Cooperação para o Desenvolvimento Econômico (OCDE), definida como clube dos países ricos.

O país vinha sendo elogiado pela forte redução da pobreza, apesar de ter ampliado a brecha social entre os que mais ganham e os que menos ganham.

No seu discurso desta quarta-feira, a presidente disse que a meta agora é atender, primeiro, as situações de emergência e depois “trabalhar juntos” para a reconstrução do Chile.

Segundo Bachelet, o serviço de energia elétrica já está sendo restabelecido nas regiões de Maule e Bío Bío, mas o porto de Tacahuano está paralisado e o desastre, afirmou, afetou diferentes setores da economia, como agricultura, pesca e fábricas de celulose.

Ela reiterou que “castigará com a força da lei” aqueles que saquearem ou cometerem “vandalismo”. Ela disse que “levar uma máquina de lavar não é necessidade”.

Na terça-feira, ministros da equipe de Bachelet disseram que nenhuma área do país continua isolada.

'Pouco enfático'

Também na terça-feira, o comandante da Marinha, almirante Edmundo González, disse em entrevista à TVN que a corporação enviou dois alertas de tsunami ao escritório de emergência do país (Onemi, na sigla em espanhol), mas que o serviço foi “pouco enfático” sobre os riscos, indicando que houve um erro no caso.

“O epicentro foi na terra. Por isso, não deveria haver tsunami”, foi a informação dada à presidente pelo Serviço Hidrográfico e Oceonográfico (SHOA), ligado à Marinha, de acordo com reportagem do jornal chileno El Mercurio.

“A presidente ligou para o SHOA por volta das 5h15 para saber se era mantido o alerta que tínhamos feito 1h10 antes (pouco depois do terremoto). Fomos pouco claros na informação que lhe demos."

"Não fomos suficientemente precisos para dizer a presidente se se mantinha ou se cancelava o alerta. Titubeamos”, disse o almirante.

Leia também: Áreas afetadas por tsunamis têm maioria das mortes no Chile

Notícias relacionadas