Ampliação de assentamentos gera crise durante visita de Biden a Israel

Joe Biden e Benjamin Netanyahu
Image caption Anúncio causou constrangimento no jantar entre Biden e Netanyahu

O anúncio do governo israelense sobre a construção de mais 1.600 casas em Jerusalém Oriental gerou uma crise de confiança entre Israel e o governo dos Estados Unidos durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden, a Israel.

Nesta quarta-feira, Joe Biden é aguardado em Ramallah, na Cisjordânia, para se encontrar com o presidente palestino, Mahmoud Abbas, e com o primeiro ministro da Autoridade Palestina, Salam Fayad.

Acredita-se que o novo anúncio de Israel acabe sendo o principal tema da conversa entre o vice americano e os líderes palestinos, pois coloca em risco a possibilidade de retomada das negociações de paz com os israelenses.

Biden recebeu a notícia de que o Ministério do Interior de Israel tinha anunciado a construção das novas casas em Jerusalém Oriental pouco antes de ir ao jantar na residência do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, na terça feira.

A notícia pegou Biden de surpresa e o levou a fazer consultas telefônicas com Washington durante uma hora e meia, atrasando o jantar com o premiê.

Tensão

Durante a refeição, que transcorreu em clima tenso, foram divulgados a jornalistas em Israel dois comunicados condenando a construção das casas, um do próprio Biden e outro da Casa Branca.

“Eu condeno a decisão do governo de Israel de promover o planejamento de novas casas em Jerusalém Oriental”, diz o comunicado do vice americano.

“O momento do anúncio, justamente no início das conversas de aproximação, é exatamente uma medida que afeta a confiança que necessitamos agora e contradiz as conversas construtivas que tivemos em Israel”.

O comunicado de Biden foi classificado pela imprensa local como uma “condenação dura” à ação israelense.

O anúncio das novas construções, classificado pelo jornal israelense Haaretz como uma "humilhação" do vice-presidente americano, também teria causado constrangimento ao próprio premiê Netanyahu, que disse a Biden que "não sabia que o anúncio seria feito".

Segundo uma nota divulgada pelo Ministério do Interior de Israel, o anúncio da construção das casas “não tinha relação alguma” com a visita do vice presidente americano.

O governo israelense também afirmou que o congelamento dos assentamentos, anunciado em novembro de 2009, não inclui as construções em Jerusalém Oriental.

'Melhor amigo'

A visita do vice-presidente americano a Israel tinha começado em um clima cordial e com declarações recíprocas de amizade entre os governos dos Estados Unidos e de Israel.

Biden é considerado o “melhor amigo de Israel” na Casa Branca e, segundo analistas locais, foi enviado a Israel pelo presidente Barack Obama para amenizar o clima de tensão entre a Casa Branca e o governo israelense e assim facilitar a retomada das negociações de paz mediadas pelo emissário americano George Mitchell.

De acordo com o principal negociador palestino, Saeb Erekat, o anuncio da construção em Jerusalém Oriental “é uma catástrofe e destrói as chances de retomada das negociações antes mesmo de elas começarem”.

O presidente palestino. Mahmoud Abbas. havia obtido o apoio da Liga Árabe para iniciar negociações indiretas com Israel, também chamadas de “conversas de aproximação”, durante quatro meses.

Porém, com o novo anúncio da construção em Jerusalém Oriental, já não se sabe se as negociações realmente começarão.

Lula

O próximo alto dignitário estrangeiro a visitar Israel será o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que deve chegar ao Oriente Médio no domingo, dia 14, para fazer sua primeira visita oficial a Israel e aos Territórios Palestinos.

Segundo informações preliminares sobre a agenda do presidente, Lula deverá fazer um discurso no Parlamento israelense, o Knesset, na segunda feira, dia 15.

Durante a visita, Lula deverá se encontrar com Binyamin Netanyahu e com o presidente palestino, Mahmoud Abbas e deverá passar uma noite na cidade palestina de Belém, na Cisjordânia.

O presidente Lula também deverá ter encontros com empresários israelenses e palestinos e com representantes da sociedade civil dos dois lados.