Posição sobre Irã impede Brasil de ser líder global, diz deputado dos EUA

Ahmadinejad e Lula em novembro, na visita do iraniano ao Brasil
Image caption O presidente Lula deve visitar o Irã no mês de maio

O congressista americano Eliot Engel, presidente do subcomitê do Hemisfério Ocidental dentro da Câmara dos Representantes (deputados) dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira que o Brasil não leva o programa nuclear iraniano “a sério”, o que está impedindo a ascensão brasileira “como um líder global".

"O Brasil é um país que está se modernizando rapidamente e que quer obter um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU", disse Engel durante uma audiência sobre a política dos Estados Unidos para as Américas.

"Mas o fato de não levar o programa nuclear do Irã a sério está impedindo a sua ascensão como um líder global", completou.

O Brasil tem defendido o caminho do diálogo como a melhor forma de garantir que o Irã tenha o direito de produzir energia nuclear e para evitar que o país desenvolva armas atômicas, enquanto que os Estados Unidos defendem mais sanções contra Teerã.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, esteve no Brasil em novembro e, em maio, o presidente Lula deve visitar o país asiático.

Atrito

"Estou preocupado com a falta de interesse do Brasil em novas sanções da ONU contra o Irã", disse Engel, para quem é preciso "ficar de olho" na crescente presença do Irã no continente.

"Eu fiquei profundamente decepcionado quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, em Brasília", afirmou.

Na semana passada, em visita ao Brasil, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, voltou a defender novas sanções contra o Irã como forma de pressionar o país a interromper seu programa de enriquecimento de urânio e disse que a comunidade internacional deveria se pronunciar "em uníssono" sobre o assunto.

"Somente depois que aprovarmos as sanções no Conselho de Segurança da ONU o Irã irá negociar de boa-fé", afirmou.

Leia mais: Brasil e EUA reafirmam diferenças sobre Irã na visita de Hillary

Os Estados Unidos e outros países temem que Teerã esteja secretamente tentando desenvolver armas nucleares.

O governo iraniano nega as alegações e afirma que seu programa nuclear tem fins pacíficos.

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