América do Sul

Bachelet deixa governo chileno sob aplausos e críticas

Michele Bachelet se despede do público em frente ao Palácio. Foto AP/ Carlos Spinoza

Bachelet deixa o cargo com 80% de apoio popular

A ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, entregou, nesta quinta-feira, a faixa presidencial ao sucessor e opositor, Sebastián Piñera - primeiro presidente de centro-direita a chegar à Presidência por voto popular em mais de 50 anos.

Bachelet deixou o palácio La Moneda, na capital chilena, aplaudida por uma multidão que se reuniu na praça em frente ao prédio, erguendo lenços brancos e cartazes que diziam: “Michelle 2014”.

A ex-presidente abraçou alguns chilenos que participavam da manifestação, emocionada. Ela foi novamente aplaudida na chegada ao Congresso Nacional, na cidade de Valparaíso, onde passou o cargo para Piñera.

Herança do governo

Bachelet deixou a Presidência com mais de 80% de apoio popular. Mas analistas afirmam que a herança do governo dela inclui a primeira derrota para a frente de centro-esquerda ‘Concertación’ em vinte anos.

Segundo especialistas, ela também será lembrada pela demora com que reagiu ao terremoto e tsunamis.

“Bachelet será lembrada como a presidente que se preocupou com o social. Mas que não fez sucessor”, disse o professor de ciências políticas, Guillermo Holzman, da Universidade do Chile.

Nos últimos dias do governo de Bachelet, a mídia local destacou a demora na chegada de ajuda oficial às áreas arrasadas pelo terremoto e também o desencontro de informações que adiou o alerta de tsunamis e que poderia ter evitado diversas mortes.

“Minha filha morreu na ilha de Robinson Crusoé porque demoraram em dar o alerta de tsunami”, disse a mãe de uma bióloga, de 28 anos.

Mas nas ruas de Santiago e de Valparaíso, a reportagem da BBC Brasil observou a simpatia dos chilenos pela ex-líder, mas com ressalvas de alguns eleitores.

“Quero que Bachelet volte daqui a quatro anos”, disse a telefonista Mirta Alves, de Valparaíso.

“Bachelet foi boa presidente, mas precisávamos de mudanças. Vinte anos com o mesmo sistema é muito”, afirmou o jornaleiro Jaime Godoy, também de Valparaíso.

Em Santiago, a percepção não foi diferente. Para o taxista Sergio Vidigal, Bachelet foi uma “boa presidente”.

“Por algum motivo nós votamos pela oposição. Era hora de mudar”, disse o taxista.

Segundo o instituto de opinião Adimark, que apontou que Bachelet deixa o cargo com nível de aceitação recorde para um presidente, ela entrou para a história como a líder que “mostrou carinho” aos chilenos.

“Ele se sentiram lembrados, bem atendidos por ela. Por isso, o terremoto e os tsunamis não afetaram sua imagem”, disse um assessor do instituto.

Nos bastidores da oposição, houve, porém, quem observasse que ela “chegou com o caos do trânsito e sai com a catástrofe do terremoto e maremoto”.

Os opositores se referiam ao sistema de ônibus e metrôs implementados por Bachelet logo no início do mandato na Região Metropolitana (a maior do país, que inclui Santiago). O novo sistema provocou fortes protestos e queda da popularidade da então nova presidente.

Bachelet parece ter descartado qualquer hipótese de retornar à Presidência. Quando questionada sobre a possibilidade de voltar ao cargo em 2014, após o mandato de Piñera, ela afirmou: “Deixemos para lá os filmes de ficção”.

Ela deixou a Presidência, no entanto, dizendo “até logo” diante das câmeras de televisão.

Clique Leia na BBC Brasil: Bachelet mantém popularidade de 84% após tremor no Chile

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