Obras em Jerusalém estremecem relação entre EUA e Israel

O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu (AFP)
Image caption Netanyahu disse que Israel vai manter decisão sobre assentamentos

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, afirmou nesta segunda-feira que o projeto de novas construções em Jerusalém Oriental não prejudica os palestinos e que o governo dará continuidade à ampliação dos assentamentos.

As declarações de Netanyahu ocorrem em meio a uma crise com o governo dos Estados Unidos gerada a partir da aprovação de Israel para a construção das 1,6 mil novas casas em Jerusalém Oriental.

“Nenhum governo nos últimos 40 anos limitou a construção em bairros de Jerusalém”, disse o premiê em discurso no Knesset, o Parlamento do país.

“Construir esses bairros judeus em Jerusalém não fere os árabes em Jerusalém Oriental ou os prejudica.”

Embaixador

Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como a futura capital de um Estado palestino e exigem o congelamento das construções israelenses nessa região e também na Cisjordânia como pré-requisito para retomar negociações de paz com Israel.

Mesmo assim, Netanyahu afirmou que quer negociações com os palestinos e que espera que eles não apresentem “novas pré-condições” para as discussões.

De acordo com a edição desta segunda-feira do jornal israelense Yediot Aharonot, o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Michael Oren, disse que a relação entre os dois países chegou ao pior nível em 35 anos devido às obras anunciadas em Jerusalém.

“As relações entre os Estados Unidos e Israel estão enfrentando a crise mais severa desde 1975”, disse Oren a diplomatas israelenses, segundo o jornal.

Nesse ano, as relações entre Estados Unidos e Israel ficaram estremecidas depois que o então secretário de Estado americano, Henry Kissinger, exigiu que Israel retirasse parcialmente suas tropas da Península do Sinai, onde permaneciam desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Um dos diplomatas que participou da reunião com Oren afirmou ao jornal Haaretz que o embaixador aparentava estar “tenso e pessimista”.

A embaixada de Israel em Washington ainda não comentou as declarações de Oren.

Ameaça

O anúncio das obras em Jerusalém já havia gerado mal estar durante a visita a Israel do vice-presidente americano, Joe Biden, na semana passada.

Biden estava no país justamente para promover a retomada das negociações de paz entre israelenses e palestinos.

O governo dos Estados Unidos considera as novas construções em Jerusalém Oriental como “destrutivas” para os esforços de paz.

Segundo um dos principais assessores do presidente Barack Obama, David Axelrod, a decisão de Netanyahu teria “ofuscado” a visita de Biden e teria representado um “insulto” ao governo americano.

Leia mais: Conselheiro de Obama classifica anúncio israelense de 'destrutivo'

União Europeia

Além dos Estados Unidos, a União Europeia também se condenou a decisão do governo israelense.

Segundo a chefe da chancelaria do bloco europeu, Catherine Ashton, que está em um giro pelo Oriente Médio, a decisão de Israel ameaçou a perspectiva de novas negociações indiretas com os palestinos.

"(A decisão) ameaçou a tentativa de um acordo para começar as negociações", afirmou Ashton.

"A posição da UE sobre os assentamentos é clara. Os assentamentos são ilegais, constituem um obstáculo à paz e ameaçam tornar a solução de dois Estados impossível", disse.

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