EUA esperam 'resposta formal' de Israel sobre processo de paz

O porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley
Image caption Crowley não detalhou as demandas feitas por Washington

Os Estados Unidos esperam uma resposta “formal” do governo de Israel sobre seu comprometimento com as negociações de paz, disse nesta segunda-feira um porta-voz do Departamento de Estado.

Na sexta-feira, em um telefonema ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que o anúncio da construção de novas casas em assentamentos judaicos em Jerusalém Oriental havia prejudicado a relação entre os Estados Unidos e Israel e a confiança no processo de paz.

“Quando ela (Clinton) explicou ao primeiro-ministro nossas preocupações específicas, ela pediu uma resposta formal do governo de Israel, e nós esperamos esta resposta”, disse o porta-voz, Philip Crowley.

Crowley não detalhou, porém, quais foram as demandas apresentadas por Washington.

“Eu não vou entrar em detalhes específicos. Acho que (as demandas) envolvem não apenas questões específicas sobre o projeto em questão que foi anunciado na semana passada, mas mais sobre o comprometimento das partes de se engajar com seriedade neste processo e juntas criarem condições para seu sucesso”, afirmou Crowley.

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Crise

O anúncio da aprovação da construção de 1,6 mil novas casas em Jerusalém Oriental foi feito pelo governo israelense na semana passada, durante a visita do vice-presidente americano, Joe Biden.

O episódio provocou constrangimento a Biden, que estava no país justamente para tentar promover negociações indiretas entre israelenses e palestinos.

O processo de paz está congelado desde 2008, e uma das exigências dos palestinos é o fim das construções em assentamentos judaicos nos territórios palestinos.

Os palestinos reivindicam Jerusalém Oriental como capital de um futuro Estado palestino.

Com o anúncio das novas construções, o presidente palestino, Mahmoud Abbas, se retirou das negociações, e Israel decretou o fechamento temporário do acesso à Cisjordânia e o aumento do policiamento em Jerusalém, acirrando a tensão entre os dois lados.

Lula

Nesta segunda-feira, em discurso ao Knesset, o Parlamento israelense, Netanyahu disse o projeto de novas construções em Jerusalém Oriental não prejudica os palestinos e que seu governo dará continuidade à ampliação dos assentamentos.

O premiê israelense disse ainda querer as negociações de paz e esperar que os palestinos não apresentem “novas pré-condições” para o diálogo.

Em meio à crise no processo de paz, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está em Israel em uma tentativa de lançar o Brasil como mediador em uma eventual retomada das negociações.

O roteiro de Lula inclui ainda os territórios palestinos e a Jordânia.

Nesta segunda-feira, em discurso no Knesset, o presidente criticou a expansão dos assentamentos e defendeu a criação de um Estado palestino.

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