Chanceler israelense foi 'descortês' com o Brasil, diz assessor de Lula

Lula discursa no parlamento israelense (AFP/Getty Images/Jim Hollander)
Image caption Lieberman não compareceu ao discurso de Lula no parlamento israelense

O assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Marco Aurélio Garcia, classificou como uma "descortesia" o boicote do ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, à visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Israel.

A atitude do chanceler israelense seria uma reação ao fato de a comitiva brasileira ter recusado o convite para visitar o túmulo de Theodor Herzl, fundador do movimento sionista cujo aniversário de 150 anos está sendo comemorado pelo governo de Israel.

Garcia lembrou que quando o ministro israelense visitou o Brasil no ano passado, "o presidente Lula o recebeu com a maior cortesia, e chegou a abrir uma exceção, porque normalmente presidente recebe presidente e seria de praxe que o chanceler tivesse sido recebido pelo nosso chanceler".

"Portanto, podemos classificar a atitude de Lieberman como um ato de descortesia", disse Garcia em entrevista coletiva em Jerusalém.

Leia mais na BBC Brasil: "Chanceler de Israel boicota discurso de Lula no Parlamento"

No entanto, o assessor especial minimizou o impacto do boicote do chanceler israelense à visita de Lula.

"De jeito nenhum. Isso não compromete o sucesso da visita a Israel", garantiu. Segundo ele, a viagem oficial conseguiu, apesar dessa divergência, aproximar os dois países.

Garcia contou que o chefe de Estado brasileiro reagiu com tranquilidade à notícia do boicote de Lieberman.

"O presidente Lula tem mais coisas com o que se preocupar do que com esse assunto", explicou Garcia.

O assessor explicou que a comitiva brasileira recusou-se a ir ao túmulo porque essa visita não estava prevista na agenda previamente acordada. Porém, o assessor não deu detalhes de como nem quando foi feito o convite por parte do governo israelense.

A respeito das críticas que o Brasil vem recebendo por manter uma aproximação com o Irã, o assessor da Presidência disse que o governo brasileiro pretende manter a política de diálogo com o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad.

Marco Aurélio Garcia fez as declarações após o presidente brasileiro ter cancelado a entrevista coletiva que estava programada para esta terça-feira.

Lula desembarcou na manhã desta terça-feira em Belém, na Cisjordânia, dirigindo-se ao palácio presidencial para um encontro com o líder da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, como parte da segunda etapa de sua visita à região.

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