Reforma da saúde 'reduzirá déficit dos EUA em US$ 138 bi'

Manifestantes a favor da reforma de saúde. Foto AFP
Image caption Obama transformou a reforma da saúde em uma prioridade do governo

A versão final da proposta de reforma do sistema de saúde dos Estados Unidos deverá reduzir o déficit do país em US$ 138 bilhões (cerca de R$ 246 bilhões) em dez anos, segundo uma estimativa divulgada nesta quinta-feira pela Comissão de Orçamento do Congresso.

De acordo com a comissão, a reforma da saúde – que deverá ampliar a cobertura médica para mais de 30 milhões de americanos – terá custo de cerca de US$ 940 bilhões (R$ 1,6 trilhão) em dez anos.

A expectativa é de que a versão final da proposta, apresentada pelos democratas, seja votada neste fim de semana na Câmara dos Representantes (deputados federais).

O presidente Barack Obama adiou nesta quinta-feira, pela segunda vez, uma viagem que faria à Indonésia e à Austrália para permanecer em Washington e acompanhar os momentos decisivos do processo.

Na votação na Câmara, são necessários 216 votos para aprovar o projeto. Os democratas ainda não chegaram a esse número, mas dizem estar confiantes.

Momento decisivo

Muitos analistas afirmam que a aprovação da reforma da saúde é o momento decisivo do governo de Barack Obama.

Desde a campanha à Casa Branca, o presidente colocou a reforma da saúde como um dos principais objetivos de seu governo.

Segundo analistas, uma eventual rejeição ao projeto traria prejuízos à imagem do mandatário.

Caso a reforma seja aprovada, deverá representar a maior mudança no sistema de saúde dos Estados Unidos desde a década de 60, quando foi criado o Medicare, programa destinado a pessoas com mais de 65 anos.

Polêmica

A tramitação da reforma da saúde vem cercada de polêmica. No Partido Republicano, opositores da reforma criticam o fato de o projeto dar ao governo muito controle sobre o sistema de saúde e ser financiado principalmente por aumento de impostos e cortes no Medicare.

No fim do ano passado, a Câmara dos Representantes e o Senado adotaram versões diferentes do projeto.

Nesse caso, as duas versões teriam de ser unificadas em um projeto único a ser enviado ao presidente para sanção.

No entanto, no início deste ano, o Partido Democrata perdeu a supermaioria de 60 cadeiras no Congresso, que impedia manobras dos republicanos para bloquear votações.

Líderes democratas decidiram então recorrer a um novo procedimento para aprovar a reforma, em uma manobra chamada de reconciliação.

Pelo novo procedimento adotado, a Câmara deverá votar neste domingo um pacote de ajustes feitos no projeto anteriormente aprovado.

Depois da aprovação na Câmara, o Senado vota um projeto que deve incluir esses ajustes, por meio da reconciliação, que prevê que o projeto possa ser aprovado no Senado por maioria simples de 51 votos.

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