Milhares participam de protestos contra o governo na Rússia

Manifestante em protesto em São Petersburgo
Image caption Manifestações ocorreram em várias cidades da Rússia neste sábado

Milhares de pessoas participaram neste sábado de protestos nas ruas de diversas cidades russas no que grupos de oposição chamaram de “dia de revolta” contra o governo e em particular contra suas políticas econômicas.

O “dia de revolta” foi organizado por uma coalizão de grupos que vêm ganhando força com a frustração popular em relação ao alto índice de desemprego e o crescente custo de vida.

Entre os organizadores do protesto estão o Partido Comunista, o movimento Solidariedade e grupos de defesa dos direitos humanos.

Em uma demonstração de nervosismo sobre o crescente movimento coordenado de protestos em todo o país, o governo fechou um site usado para convocar as manifestações.

Críticas a Putin

A BBC confirmou a realização de manifestações em São Petersburgo, Kaliningrado e Vladivostok.

Nos protestos, os manifestantes pediram a renúncia do primeiro-ministro, Vladimir Putin, e de seu gabinete.

Em Vladivostok, no extremo leste do país, cerca de 1.500 pessoas participaram da manifestação, enquanto em São Petersburgo, no outro extremo russo, a passeata reuniu cerca de mil manifestantes.

Em Moscou, centenas de policiais tomaram as ruas e impediram o protesto, com a detenção de cerca de 70 pessoas.

Vários protestos anteriores na Rússia foram proibidos pelo governo, levando a confrontos entre os manifestantes e a polícia.

Repressão

Ao longo dos últimos dez anos, com Putin primeiro como presidente e agora como primeiro-ministro, o governo russo reprimiu a maioria das atividades da oposição e manteve um forte controle sobre o país.

Mas os problemas econômicos da Rússia nos últimos tempos fizeram reacender o descontentamento com o governo.

A recente crise econômica mundial levou à interrupção de um período de uma década de crescimento econômico russo.

Em janeiro, a polícia já havia dispersado cerca de 10 mil manifestantes que protestavam em várias cidades contra a política econômica do governo.