Israel tem que fazer escolhas ‘difíceis, mas necessárias’, diz Hillary

Hillary Clinton
Image caption Clinton vai discursar para grupo pró-israelense nesta segunda-feira

A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse nesta segunda-feira que Israel enfrenta “escolhas difíceis, mas necessárias” para alcançar a paz no Oriente Médio.

No discurso que fez no encontro do grupo pró-Israel Aipac (Comitê Americano-israelense de Assuntos Públicos), a secretária de Estado alertou que a situação é “insustentável”.

“A situação é insustentável para os dois lados. Ela apenas promete violência e aspirações não alcançáveis”, afirmou em discurso.

Mas apesar da recente crise nas relações entre Estados Unidos e Israel, provocada pelo anúncio israelense da construção de 1,6 mil novas casas em Jerusalém Oriental, Clinton afirmou que as relações entre os dois países permanecem “sólidas como uma rocha”.

O anúncio foi feito durante a vista do vice-presidente americano Joe Biden a Israel, e um dia depois de o governo americano ter elogiado o início de negociações de paz indiretas entre israelenses e palestinos.

"Garantir a segurança israelense é mais do que uma posição política para mim. É um compromisso pessoal que nunca será estremecido", afirmou.

Mas ela acrescentou que Washington tem a "responsabilidade de dar crédito quando ele é merecido e de dizer a verdade quando é necessário".

Confiança

Clinton pediu a Netanyahu que tome medidas para restaurar a confiança no processo de paz, inclusive estender a suspensão de construir novos assentamentos na Cisjordânia para Jerusalém Oriental.

Em uma ligação telefônica na sexta-feira, o premiê israelense propôs uma série de medidas para fortalecer a confiança, que representariam um "esforço real" para ajudar a iniciativa americana pela retomada das negociações de paz.

Apesar de os detalhes ainda não terem sido divulgados, autoridades israelenses afirmam que elas incluem um acordo para discutir todas as questões não acertadas nas "conversações de aproximação" indiretas, mediadas pelo enviado especial dos Estados Unidos ao Oriente Médio, George Mitchell.

Mas Israel não vai discutir um congelamento da construção de assentamentos em Jerusalém Oriental.

"No que nos concerne, construir em Jerusalém é o mesmo que construir em Tel Aviv", disse Netanyahu ao seu gabinete no domingo.

Mas Clinton advertiu em seu discurso nesta segunda-feira que “há um outro caminho. Um caminho que leva à prosperidade e à segurança para todas as pessoas na região. Ele vai exigir que todas as partes – inclusive Israel - façam escolhas difíceis, porém necessárias”.

Netanyahu também deverá discursar para a Aipac nesta segunda-feira, e na terça-feira tem um encontro com o presidente americano Barack Obama.

A Autoridade Palestina está furiosa com a insistência de Israel de construir novas casas no território ocupado. Os palestinos veem os planos como um sério obstáculo à retomada do diálogo, parado há mais de um ano.

Quase 500 mil judeus vivem em mais de cem assentamentos construídos desde a ocupação israelense da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental, em 1967.

A ocupação é considerada ilegal de acordo com as leis internacionais, mas Israel questiona a decisão.

Irã

No discurso, a secretária de Estado americana ainda falou da necessidade de se impor novas sanções ao Irã por causa de seu programa nuclear.

Ela pediu por sanções que façam alguma diferença.

O Irã afirma que seu programa é para fins pacíficos de produção de energia, mas os Estados Unidos desconfiam que o país esteja tentando desenvolver armas nucleares.

"Que fique bem claro: os Estados Unidos estão determinados a evitar que o Irã adquira armas nucleares", disse Clinton.

Se o Irã desenvolver armas nucleares, vai fortalecer terroristas e detonar uma corrida armamentista que poderá desestabilizar o Oriente Médio, afirmou.

"Isso é inaceitável para os Estados Unidos, inaceitável para Israel e inaceitável para a região e para a comunidade internacional."

Os Estados Unidos vem pressionando por sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, mas a China e a Rússia, outros membros permanentes do conselho, vem resistindo.

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