Presidente de canal de TV da oposição é preso na Venezuela

O presidente da Globovisión, Guillermo Zuloaga
Image caption Guillermo Zuloaga negou a intenção de fugir do país

O presidente da emissora de televisão oposicionista venezuelana Globovisión, Guillermo Zuloaga, foi preso nesta quinta-feira no aeroporto de Falcón, no norte da Venezuela.

Ele foi acusado pelas autoridades venezuelanas de ter tentado desrespeitar uma ordem de proibição de saída do país emitida pelo Ministério Público.

A Procuradora Geral da República, Luisa Ortega Diaz, afirmou que a notificação foi emitida devido ao temor de que Zuloaga tentasse fugir para não responder a um processo em que é acusado de ter feito declarações falsas contra o presidente Hugo Chávez, no último fim de semana.

O empresário disse não ter recebido a ordem. "Não tenho nenhuma notificação de que eu tenha algum problema", afirmou ele em entrevista à Globovisión, ainda no aeroporto, de onde viajaria à Ilha de Bonaire, no Caribe.

Zuloaga negou ter a intenção de fugir do país no momento em que foi detido. "Se estivesse tentando me esconder, não sairia por um aeroporto conhecido, internacional", disse.

Investigação

A prisão de Zuloaga ocorre um dia após o Congresso Nacional ter solicitado ao MP Público que fosse aberta uma investigação contra o empresário, por "falsas declarações" emitidas na reunião da Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) no fim de semana passado.

No encontro da SIP, Zuloaga teria dito que Chávez ordenou que militares disparassem em manifestações que ocorreram durante o fracassado golpe de Estado de 11 de abril de 2002, quando 19 venezuelanos, entre chavistas e opositores, foram assassinados por franco-atiradores.

"Este cidadão afirmou que o presidente da República ordenou os disparos contra a manifestação (...) isso é uma informação absolutamente falsa", afirmou à BBC Brasil o deputado Manuel Villaba, presidente da comissão de Meios de Comunicação no Congresso.

"Os tribunais do nosso país já estabeleceram quem são os responsáveis por esses assassinatos e eles estão detidos", acrescentou.

Villalba disse que Zuloaga não pode utilizar "a condição de dono de meio de comunicação" para se eximir das responsabilidades previstas no Código Penal venezuelano.

"Utilizar a tribuna da SIP para difundir essa informação falsa constitui um delito previsto no Código Penal", afirmou.

O secretário-geral da Organização de Estados Americanos (OEA), José Miguel Insulza, disse estar preocupado com as "repercussões políticas" da detenção do presidente da Globovisión.

"Me preocupam as repercussões políticas nacionais e internacionais desta situação e por isso solicito às autoridades venezuelanas a breve libertação do senhor Zuloaga", afirmou Insulza, ao acrescentar.

"Se decidem julgá-lo, que se faça respeitando a presunção da inocência".

Disputa

Juntamente com outros canais, a Globovisión, considerada como o principal canal opositor, é acusada pelo governo de ter participado do golpe de Estado, conhecido também entre os simpatizantes do governo como "golpe midiático".

A disputa entre o governo e a Globovisión, que se arrasta desde abril de 2002, ganhou força no ano passado. Em junho de 2009, a receita federal da Venezuela aplicou uma multa de US$ 2,2 milhões (cerca de R$ 4,98 mi) à Globovisión, alegando sonegação de impostos.

A aplicação da multa ocorreu pouco tempo depois do Ministério Público ter acusado Zuloaga de cometer delito ambiental por conservar em sua casa várias cabeças de animais silvestres empalhadas.

Um mês antes desse episódio, durante uma batida policial, foram apreendidos 24 automóveis zero km na casa do empresário. Na ocasião, o MP acusou Zuloaga de "usura" por "estocar" os carros em sua residência para, em seguida, revendê-los com preços mais altos.

Há três dias, o ex-governador do Estado de Zulia, Álvarez Paz, foi preso depois de acusar o governo venezuelano de colaborar com o narcotráfico em um programa do canal Globovisión.

Leia mais na BBC Brasil: Venezuela prende político que disse que país ajuda narcotráfico

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