Religião

Vaticano ignorou caso de padre que molestou mais de 200, diz 'New York Times'

Papa Bento 16

Papa Bento 16 liderou braço disciplinar do Vaticano entre 1981 e 2005

Uma Clique reportagem publicada nesta quinta-feira pelo jornal The New York Times afirma que o Vaticano tinha conhecimento – mas não tomou nenhuma providência a respeito – do caso de um padre que, acredita-se, molestou cerca de 200 garotos ao longo de 24 anos em uma escola para surdos no Estado de Wisconsin.

O diário afirma ter tido acesso aos documentos do processo que vítimas apresentaram na Justiça. Entre eles estão correspondências entre os bispos do Estado e altas autoridades do Vaticano, inclusive algumas endereçadas ao cardeal Joseph Ratzinger, atual papa Bento 16, na época em que era chefe da Congregação para Doutrina da Fé, responsável por tratar questões disciplinares na Igreja.

O caso envolve o reverendo Lawrence Murphy, que trabalhou em uma renomada escola para jovens surdos entre 1950 e 1974. Entretanto, o caso só começou a ser investigado em 1993, quando denúncias contra o padre começaram a chegar ao arcebispo de Milwaukee à época, Rembert Weakland.

"O arcebispo Weakland contratou um assistente social especializado no tratamento de crimes sexuais para avaliar (o padre Murphy). Após quatro dias de entrevistas, o assistente social afirmou que o padre admitiu seus atos, havia molestado provavelmente cerca de 200 garotos e que não tinha remorsos", relata o New York Times.

Segundo o jornal, o arcebispo Weakland escreveu cartas ao cardeal Ratzinger pedindo a suspensão do padre Murphy em 1996, com o objetivo de "neutralizar a indignação entre a comunidade surda e restaurar a confiança na Igreja."

O New York Times diz que Ratzinger nunca respondeu a nenhuma das duas cartas que recebeu do arcebispo americano.

O jornal diz que o caso passou pelas mãos de outros funcionários de alto escalão do Vaticano, mas que os procedimentos foram interrompidos depois que o próprio padre Murphy escreveu ao cardeal Raztinger alegando saúde frágil e pedindo que o caso fosse abandonado. Ele morreu quatro meses depois e foi enterrado em vestimentas da Igreja.

Em resposta às acusações colocadas pelo jornal, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, reconheceu que o padre havia violado a lei e crianças "particularmente vulneráveis", e que o caso é "trágico".

Entretanto, ele disse que o Vaticano só tomou conhecimento do caso em 1996 e que, àquela altura, a saúde frágil e a ausência de casos recentes envolvendo o padre pesaram na decisão de suspender o julgamento contra ele.

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