Ex-premiê vence pleito no Iraque, mas terá que negociar coalizão

Allawi (esquerda) e Nouri al Maliki (direita)
Image caption Allawi (esq.) foi premiê interino até a eleição de Maliki em 2005

A Comissão Eleitoral do Iraque anunciou nesta sexta-feira que o bloco político liderado pelo ex-premiê Iyad Allawi venceu por uma estreita margem as eleições parlamentares do país, derrotando o partido do atual primeiro-ministro, Nouri Al-Maliki.

Segundo os resultados preliminares divulgados pela Comissão, o partido de Allawi conquistou 91 assentos no Parlamento, contra 89 de Maliki. Ambos são xiitas representando facções politicamente laicas.

Como Allawi não conseguiu maioria no Parlamento, terá agora que formar uma coalizão para governar.

Ainda assim, segundo o correspondente da BBC em Bagdá Andrew North, o resultado representa uma vitória espetacular do ex-premiê e uma incrível derrota para Al-Maliki.

Contestação

O atual premiê insistiu que os resultados não são definitivos e afirmou que recorrerá aos canais legais para questionar a contagem.

"Não consideramos estes resultados definitivos porque existem outros detalhes que a comissão eleitoral deve analisar", disse Maliki.

O premiê disse que acatará o resultado apenas se todos os candidatos vitoriosos forem liberados por uma comissão que investiga ligações deles com grupos extremistas ou seus vínculos com o regime de Saddam Hussein.

"Como é possível que entre eles (os vencedores) existam pessoas que estão detidas acusadas de terrorismo?", disse à jornalistas.

Mais violência

As Nações Unidas, que ajudaram os iraquianos a organizar as eleições de 7 de março, dizem que o pleito transcorreu sem evidências de fraude sistemática e pediu para que todos os partidos aceitem os resultados.

Por sua vez, os Estados Unidos parabenizaram o país pela conclusão da apuração.

Allawi disse que trabalhará com as diferentes facções políticas para formar um novo governo.

Entretanto, Peter North disse que há o temor de que os resultados possam dar início a uma nova onda de violência.

Pelo menos 40 pessoas morreram nas explosões de duas bombas perto de um restaurante na cidade de Khales, ao norte de Bagdá, horas antes da divulgação dos resultados.