Rússia

Após ataques, chanceler russo pede cooperação internacional

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O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou, nesta segunda-feira, que os ataques que mataram 38 pessoas no sistema de metrô de Moscou demonstram a necessidade de uma cooperação internacional mais forte.

Em um discurso durante o encontro de representantes do G8 (formado pelas sete economias mais industrializadas do mundo mais a Rússia) no Canadá, Lavrov pediu aos líderes mundiais para que combatam o que chamou de “rede terrorista global”.

Segundo ele, uma cooperação internacional mais forte poderia prevenir ataques futuros.

Mais cedo, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que o país ajudará a Rússia a levar os responsáveis pelos ataques à Justiça.

Putin

Logo após os atentados, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, prometeu que os responsáveis pelos atentados serão “destruídos”.

“Como se sabe, hoje foi cometido um crime com consequências horríveis e de natureza atroz contra os cidadãos pacíficos de Moscou”, disse Putin, que voltou às pressas de uma viagem à Sibéria depois de receber a notícia das explosões.

“Dezenas de pessoas morreram no metrô. Estou confiante de que as agências de cumprimento da lei vão fazer tudo para rastrear e punir os criminosos. Os terroristas serão destruídos.”

Segundo as autoridades russas, os atentados desta segunda-feira de manhã foram cometidos por duas mulheres-bomba, na hora do rush.

Vinte e quatro pessoas teriam morrido na primeira explosão, às 07h56 (hora local, 0h56 hora de Brasília), quando um trem parou na estação de Lubyanka, próximo aos escritórios do Serviço Federal de Segurança (FSB), no centro da cidade.

Cerca de 40 minutos depois, outra explosão destruiu um trem na estação de Park Kultury, causando a morte de outras 14 pessoas.

Mais de 60 pessoas ficaram feridas nas duas explosões, 30 delas gravemente, segundo as autoridades.

Chechênia

O FSB acredita que os atentados foram provavelmente planejados por rebeldes do Cáucaso, onde fica a Chechênia.

Segundo o correspondente da BBC em Moscou Richard Galpin, até agora nenhum grupo assumiu a autoria do atentado, mas no passado, outros ataques na capital foram realizados ou atribuídos a rebeldes islâmicos que lutam pela independência chechena.

Em Fevereiro, o líder rebelde checheno Doku Umarov havia declarado que “a zona de operações militares será estendida para o território da Rússia… a guerra está chegando à cidade deles”.

Nas últimas semanas, as forças de segurança russas realizaram algumas operações militares contra rebeldes do Norte do Cáucaso com sucesso. Em Fevereiro, pelo menos 20 insurgentes foram mortos em uma ação na Inguchétia.

Suspeitas

Em uma reunião com o presidente Dmitry Medvedev, o chefe do FSB, Alexander Bortnikov afirmou que seus investigadores acreditam que os atentados foram cometidos por “grupos terroristas relacionados ao Norte do Cáucaso”.

“Esta provavelmente será nossa principal conclusão, porque fragmentos dos corpos de duas mulheres-bomba foram encontrados mais cedo no local dos incidentes e os exames mostram que esses indivíduos vieram do Norte do Cáucaso”, disse ele.

Citando um relatório forense preliminar, Bortnikov acrescentou que as bombas foram fabricadas com um poderoso explosivo, hexogênio, comumente conhecido como RDX.

A bomba que explodiu na estação de Lubyanka tinha força equivalente a até quatro quilos de TNT, enquanto a bomba de Park Kultury tinha potência equivalente a 1,5 a dois quilos de TNT. Os artefatos estavam recheados com pedaços de metal, para aumentar o poder de destruição.

A promotoria federal já abriu investigação sobre o que chamou de “suspeitos atos de terrorismo”.

Crime

O metro de Moscou é um dos mais movimentados do mundo, transportando cerca de 5,5 milhões de passageiros por dia.

Partes do sistema foram fechadas como precaução depois das explosões e 700 soldados foram enviados para as ruas.

“A cidade toda está uma bagunça, as pessoas estão telefonando umas para as outras, as operadoras não conseguem lidar com tantas ligações ao mesmo tempo”, disse Olga, uma internauta da BBC em Moscou. “Aqueles que testemunharam a tragédia não conseguem superar o choque.”

O presidente Medvedev pediu às autoridades que aumentem a segurança no serviço de transporte em toda a Rússia. “O que estava sendo feito tem que ser substancialmente fortalecido”, disse ele. “Olhem este problema na escala do Estado, não apenas em relação a um único tipo de transporte em uma cidade em particular.”

O presidente americano Barack Obama condenou os atos e disse que os americanos estão unidos com os russos em oposição ao extremismo violento.

Ataques ao metrô de Moscou

Março de 2010: Duas extremistas suicidas explodem bombas nas estações de Lubyanka e de Park Kultury, causando a morte de 38 pessoas

Agosto de 2004: Extremista suicida explode bomba do lado de fora da estação de Rizhskaya, matando 10 pessoas

Fevereiro de 2004: Extremista suicida explode bomba na linha Zamoskoretskaya, que conecta os principais aeroportos, matando 40 pessoas

Agosto de 2000: Boma em túnel de pedestres que leva à estação de Tverskaya explode, matando 13 pessoas

Fevereiro de 2000: Explosão deixa 20 feridos na estação de Belorusskaya

Janeiro de 1998: Três pessoas ficam feridas em explosão na estação de Tretyakovskaya

A União Europeia também condenou os atentados e ofereceu “solidariedade às autoridades russas”. O secretário-geral da Otan, Andes Fogh Rasmussen reiterou seu compromisso de lutar junto à Rússia contra o terrorismo.

Histórico

Os ataques coordenados foram os que causaram mais vítimas em Moscou desde Fevereiro de 2004, quando 40 pessoas foram mortas em uma explosão num trem de metrô lotado que se aproximava da estação de Paveletskaya.

Seis meses depois, uma extremista suicida explodiu outra bomba do lado de fora de outra estação, matando dez pessoas. Os dois atentados foram atribuídos a rebeldes chechenos.

Em Novembro, o líder rebelde checheno Doku Umarov afirmou que sua milícia havia cometido um atentado a bomba causando a morte de 26 pessoas em um trem expresso que viajava entre Moscou e São Petersburgo, a segunda maior cidade russa.

O atentado ocorreu seis meses depois de o presidente Medvedev ter declarado o fim das “operações contra o terrorismo” na Chechênia, em uma tentativa de “normalizar a situação” depois de 15 anos do conflito que causou a morte de mais de 100 mil pessoas e deixou a região em ruínas.

Apesar disso, muitas repúblicas autônomas continuam sendo palco de violência na região e nos últimos dois anos, militantes islâmicos aumentaram o número de ataques nas vizinhas Inguchétia e Daguestão.

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