Soldados que foram cobaias de experimentos processam Exército israelense

Soldado israelense
Image caption Soldados alegam não ter sido informados sobre os riscos que corriam

Um grupo de 64 soldados israelenses da reserva entrou com um processo contra o Exército do país, exigindo indenização de 18 milhões de shekels (cerca de R$ 9 milhões), por danos sofridos em consequência de um experimento com um antídoto contra antraz, ao qual foram submetidos durante o serviço militar.

O experimento, denominado Projeto Omar 2 e iniciado há dez anos, envolveu cerca de 600 soldados, de ambos os sexos.

O antraz é uma doença infecciosa aguda causada por uma bactéria e utilizada em armas biológicas.

Os soldados, que entraram com a ação coletiva em um tribunal da cidade de Petach Tikva, afirmam que não receberam todas as informações relevantes sobre os possíveis riscos que correriam, para poder decidir de maneira livre e racional se queriam participar do experimento.

Além do pagamento de indenização, os soldados também exigem que o Exército revele exatamente quais eram os componentes das injeções que receberam para que possam tratar devidamente os efeitos colaterais que passaram a sofrer.

'Controle rígido'

O Ministério da Defesa declarou que “o experimento Omar 2 foi realizado segundo os padrões aceitos internacionalmente e com a participação de médicos capacitados e reconhecidos, sob um controle rígido”.

O ministério também afirmou que deu a todos os participantes no experimento a “possibilidade de abrir um processo pelo reconhecimento de invalidez, caso tenha sido consequência do experimento”.

Segundo o ministério, apenas 11 processos foram apresentados ao Departamento de Reabilitação do Exército.

Uma das líderes do grupo, a tenente da reserva Dorit Tahan, disse ao site de noticias Walla que “o Exército se nega a assumir a responsabilidade pela vida dos soldados e menospreza o valor da vida humana”.

De acordo com Tahan, os soldados não tiveram outra alternativa exceto se dirigir à Justiça para “dar uma lição ao Exército sobre responsabilidade por vidas humanas”.

A tenente também exortou todos os soldados que foram submetidos aos experimentos a se comunicarem com o grupo.

Efeitos colaterais

Vários dos soldados que participaram do experimento relataram que, logo depois de tomar as primeiras injeções, começaram a sofrer problemas respiratórios,de pele, no sistema digestivo, febre alta e fortes dores de cabeça e dores musculares.

As vítimas afirmam que também sofreram danos emocionais, acusam o Exército de ter utilizado seus corpos de maneira ilegítima e exigem ainda que o Exército arque com todas as despesas do tratamento médico para elas e seus filhos e suspenda totalmente os experimentos médicos feitos com soldados.

Segundo os soldados, efeitos colaterais do experimento também podem passar de pais para filhos.

De acordo com o processo, as autoridades militares tinham pedido total sigilo sobre os experimentos aos soldados.

As autoridades também disseram que a bactéria do antraz significava uma ameaça existencial para os cidadãos israelenses e que a participação no experimento tinha uma “alta importância nacional” por estarem ajudando na produção de um antídoto eficaz contra a doença.

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