Presidente da Guiné-Bissau diz que situação está 'sob controle'

Carlos Gomes Jr. (foto de arquivo)
Image caption Gomes está sendo mantido em prisão domiciliar

O presidente da Guiné-Bissau, Malam Bacai Sanhá, afirmou, nesta quinta-feira que a situação no país está sob controle, horas depois de um grupo de militares do Exército prenderem o primeiro-ministro, Carlos Gomes Junior, o chefe do Estado Maior das Forças Armadas, José Zamora Induta, e mais 40 militares.

Segundo ele, houve um “problema entre soldados” que acabou atingindo o governo civil.

“Eu usarei minha influência para encontrar uma solução amigável para esse problema”, disse.

As declarações foram feitas após um encontro com as tropas dissidentes e com o líder da rebelião, o general Antonio Indjai, que se autoproclamou o novo chefe das Forças Armadas.

Os fatos ocorridos depois do motim promovido pelos militares indicavam que o país poderia estar sofrendo um golpe de Estado, e alguns países, como França e Portugal, condenaram o que chamaram de um golpe e pediram o retorno da ordem constitucional na Guiné-Bissau.

Mas, segundo Indjai, houve apenas um "problema puramente militar" e o Exército "reitera seu apego e sua submissão ao poder político".

"As Forças Armadas de Guiné Bissau querem informar a opinião pública nacional e internacional que os acontecimentos ocorridos nesta quinta-feira pela manhã são um problema puramente militar que não concerne ao poder civil", afirma comunicado assinado por Indjai e transmitido pela rádio nacional do país.

Segundo testemunhas, o premiê está sendo mantido em prisão domiciliar. O chefe das Forças Armadas e os outros 40 militares ainda estariam detidos.

Reações

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-Moon, pediu que os líderes militares e políticos resolvam as diferenças de forma pacífica e “mantenham a ordem constitucional”.

O ministério das Relações Exteriores do Brasil também se manifestou a favor da democracia da Guiné-Bissau.

“O governo brasileiro exorta as autoridades constituídas da Guiné-Bissau, as Forças Armadas e a sociedade a atuarem com moderação, de forma a equacionar os problemas político-institucionais do país dentro da ordem democrática”, diz a nota divulgada pela chancelaria.

O comunicado pede ainda que as autoridades assegurem “ condições para consolidação dos avanços no processo de estabilização e de reformas internas, que conta com amplo respaldo da comunidade internacional”. A chefe de Relações Exteriores da União Europeia, Catherine Ashton, condenou o motim e afirmou que a situação é “uma violação inaceitável da ordem constitucional”.

Histórico

A Guiné-Bissau, uma ex-colônia portuguesa, é considerada um dos principais centros para o tráfico de cocaína da América do Sul para a Europa.

O ex-presidente Nino Vieira foi morto em março de 2009 por um grupo de soldados, horas depois de o chefe do gabinete militar ter sido morto em uma explosão.

O presidente Sanhá venceu eleições três meses depois.

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