Bento 16 evita referência direta a pedofilia em mensagem pascal

Papa Bento 16
Image caption Em mensagem de Páscoa, papa pede 'mudanças profundas'

O papa Bento 16 evitou fazer uma referência direta ao escândalo de pedofilia que pesa sobre a Igreja Católica em sua tradicional mensagem e bênção Urbi et Orbi (à cidade de Roma e ao mundo) neste domingo de Páscoa.

Em pronunciamento a milhares de fiéis na Praça de São Pedro, no Vaticano, o papa disse que a humanidade está sofrendo "uma profunda crise" e necessita "não apenas de retoques superficiais, mas de uma "conversão espiritual e moral".

"Precisa da salvação do Evangelho para sair de uma crise profunda, e que pede mudanças profundas, começando pelas consciências", disse.

Mais cedo, na missa da Ressurreição, o decano do Colégio de Cardeais, Angelo Sodano, disse que os fiéis não foram afetados pela "fofoca mesquinha" do momento, numa referência ao escândalo criado com alegações de abuso sexual de crianças por padres e sugestões de que houve acobertamento pela hierarquia da Igreja.

Ao felicitar o papa pela Páscoa, ele disse que "todo o povo de Deus" apoia o Sumo Pontífice.

Alegações de abuso sexual por parte de padres - algumas supostamente ocorridas há décadas - surgiram recentemente em vários países, inclusive Suíça, Holanda, Áustria, Alemanha, Estados Unidos e Irlanda.

Pedido de perdão

Causaram polêmica nos últimos dias declarações do pregador-chefe da Casa Pontifícia, padre Raniero Cantalamessa, que comparou as críticas à Igreja Católica por causa do escândalo à perseguição dos judeus. O comentário foi condenado por grupos judaicos e de apoio a vítimas de pedofilia. E o porta-voz do Vaticano disse que esta não era a posição oficial da Igreja.

Neste domingo, em entrevista ao jornal Corriere della Sera, Cantalamessa pediu desculpas pela comparação. "Se - e não foi minha intenção - eu feri a sensibilidade de judeus e de vítimas de pedofilia, eu lamento verdadeiramente e peço perdão."

O silêncio do papa sobre os escândalos pode desapontar muitos comentaristas e vítimas de abusos que esperavam algumas palavras sobre o assunto, de acordo com o correspondente da BBC em Roma, Duncan Kennedy.

Do papa veio uma declaração genérica, afirmou o repórter da BBC no Vaticano, David Willey. "Depois da ressurreição, a Igreja sempre encontra a história cheia não apenas de alegria e esperança, mas também de dor e angústia", disse Bento 16.

Na mensagem de Páscoa, o Sumo Pontífice orou pela paz no Oriente Médio, terra onde Jesus Cristo viveu, pelo fim do narcotráfico na América Latina e pelas vítimas dos fortes terremotos que abalaram o Haiti e o Chile. Ele rezou ainda pelo fim dos conflitos na África e pelos cristãos que são perseguidos por sua fé no Iraque e no Paquistão.

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