Partido retira ameaça de vingar morte de líder segregacionista na África do Sul

Eugene Terreblanche
Image caption Eugene Terreblanche foi assassinado em sua fazenda

O partido sul-africano AWB, que defende a supremacia branca, retirou ameaças de vingar o assassinato de seu líder, Eugene Terreblanche, morto no último sábado, segundo afirmou à BBC nesta segunda-feira um porta-voz da agremiação.

Pieter Steyn disse que nenhum integrante do AWB (Afrikaner Weerstandsbeweging, ou Movimento da Resistência Africâner) usará de violência para retaliar contra a morte de Terreblanche.

"Ontem, no calor do momento, foram feitas algumas declarações que gostaria de retirar. A filosofia do AWB é a de que nenhum de seus integrantes se engaje em qualquer tipo de violência, intimidação, calúnia racial ou qualquer coisa do gênero" disse ele à BBC.

"Apelaremos por calma, qualquer um que aja de forma violenta não o fará em nome do AWB", completou.

Ameaça

No domingo, o secretário-geral do partido, Andre Visagie, descreveu o assassinato de Terreblanche como uma "declaração de guerra" por parte da comunidade negra da África do Sul.

"O próximo passo para o AWB será enterrar seu líder em paz, mas depois vingaremos a sua morte", disse ele.

A polícia disse que Terreblanche, de 69 anos, foi morto a pauladas em sua fazenda, perto da cidade de Ventersdorp, no noroeste do país, por dois empregados em uma disputa sobre falta de pagamento. Dois homens foram presos e acusados do crime.

O presidente da África do Sul, Jacob Zuma, pediu calma por meio de uma nota oficial dizendo que "não permitam que agentes provocadores se aproveitem da situação para incitar ou alimentar ódio racial”.

Contexto

Simpatizantes do AWB afirmaram que atos de provocação do jovem líder político Julius Malema, do CNA (Congresso Nacional Africano, partido do ex-presidente Nelson Mandela, no poder desde o fim do regime segregacionista, em 1994) levaram ao assassinato de Terreblanche.

Na semana passada, a Justiça sul-africana proibiu Malema de cantar a canção Kill the Boer, Kill the Farmer ('Mate os fazendeiros, mate os Bôeres'), por considerar que ela incitava o ódio racial.

Bôer é fazendeiro no idioma africâner, usado por descendentes de holandeses na África do Sul, mas a palavra muitas vezes é usada como sinônimo de branco entre a comunidade negra do país.

Desde 1994, cerca de 3 mil fazendeiros de origem africâner foram assassinados na África do Sul.

Terreblanche e seu partido tornaram-se conhecidos em meados da década de 1980. O líder segregacionista fazia campanha por um território separado para os brancos e defendia a preservação do apartheid.

O partido usou táticas violentas e ameaçou iniciar uma guerra civil no período que antecedeu a primeira eleição democrática do país, em 1994. Fracassou e caiu em relativa obscuridade.

Terreblanche ficou preso três anos após ter sido condenado em 2001 por tentar matar um trabalhador agrícola.

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