Alerta por celular é opção para reduzir mortes, diz especialista

Bombeiro retira corpo de criança do Morro do Borel (foto: AFP)
Image caption Bombeiro retira corpo de criança do Morro do Borel

O aprimoramento dos sistemas de alerta de inundações, que incluem o envio de mensagens por celular e o uso de sirenes para prevenir as populações, pode reduzir o número de mortes e limitar os danos materiais em casos de temporais como os que assolaram o Rio de Janeiro nesta semana, sugere um especialista da Organização Meteorológica Mundial (OMM).

Países como o Japão e a França utilizam o sistema de envio de mensagens SMS para emitir alertas de inundações às populações.

"Além dos sistemas tradicionais de alerta por rádio e TV, outros meios, como telefones celulares, sirenes e até mesmo os sinos da igreja, no caso de vilarejos, ajudam a limitar as mortes e destruições", afirma o cientista Gabriel Arduino, do programa de hidrologia e de recursos hídricos da OMM.

No Rio, o envio de torpedos com alertas de enchentes é realizado somente para os órgãos municipais e da imprensa, segundo a assessoria de imprensa do centro de operações da prefeitura da cidade.

Rapidez

De acordo com o cientista da OMM, o Brasil possui uma das tecnologias mais modernas de sistemas de previsão de chuvas. Mas outros elementos são necessários para evitar grandes enchentes como as ocorridas no país nos últimos meses.

Um dos problemas, segundo ele, é que em boa parte do Brasil não existem sistemas de alerta em relação ao aumento rápido do nível de água dos riachos e córregos nas grandes cidades quando ocorrem temporais.

"No Rio, há inúmeros córregos onde a subida do nível da água é muito rápida", diz o especialista, que defende a necessidade de que as previsões meteorológicas sejam feitas em conjunto com análises hidrológicas para evitar enchentes.

"O problema com as chuvas rápidas é que há pouco tempo para fazer o necessário. Se esperarmos que a chuva toque o solo, já é tarde e não há praticamente mais tempo para avisar ninguém", diz Arduino.

Outro ponto apontado pelo especialista é o problema das construções não autorizadas em áreas de risco de inundações e de deslizamentos.

"Se as chuvas provocam regularmente, todos os anos, destruições, não é um problema do sistema de alerta às populações. A questão é evitar construções nessas áreas inundáveis e de deslizamentos", afirma.

Pedido

Ele diz que os países da América do Sul solicitaram à OMM auxílio para desenvolver sistemas de alertas de chuvas, mas a organização não pôde ainda dar andamento aos projetos por razões orçamentárias.

No caso do Brasil, o cientista afirma que é necessário criar em outras partes do país mais centros de previsão meteorológica e de análises hidrográficas.

Segundo ele, o Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), no interior de São, realiza um trabalho de alto nível, mas a prevenção de inundações também depende da maneira e da rapidez da utilização, pelas autoridades locais, das informações meteorológicas fornecidas.

"O Brasil já auxiliou outros países do continente na área de previsões meteorológicas, mas não resolve alguns problemas sozinho. As instituições que trabalham nessa área não podem cobrir o país todo", afirma.

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