Deslizamento em Niterói pode ter deixado 200 soterrados

Deslizamento no Morro do Bumba, em Niterói. Foto: AP/ Felipe Dana
Image caption O desabamento deixou cerca de 500 casas soterradas

Pelo menos 200 pessoas teriam ficado soterradas em um deslizamento ocorrido na noite de quarta-feira em Niterói (RJ), segundo o Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil.

O desabamento ocorreu por volta das 21h em uma favela no Morro do Bumba, deixando aproximadamente 50 casas soterradas.

Até a manhã desta quinta-feira, a Secretaria de Saúde do Estado do Rio confirmou a morte de seis pessoas, incluindo uma menina. Outras 18 foram levadas ainda com vida a hospitais próximos por bombeiros.

Segundo o subsecretário da Defesa Civil, Pedro Machado, a favela do Morro do Bumba foi construída em cima de uma montanha de lixo que se acumulou por décadas, o que faz com que todo o terreno seja extremamente perigoso. Além disso, o local ainda está molhado, apesar de ter parado de chover.

Ajuda federal

Ainda nesta quinta-feira, a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, anunciou a liberação de R$ 200 milhões para atender as vítimas das enchentes e desabamentos no Estado do Rio.

Na quarta-feira, o prefeito do Rio, Eduardo Paes, havia solicitado ao governo federal investimentos na ordem de R$ 370 milhões.

"Estamos analisando todas as demandas, inclusive em função das novas ocorrências desta madrugada em Niterói", afirmou Guerra.

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Além da quantia, o governo federal anunciou a renovação da frota de ambulâncias e a entrega de kits de emergência com capacidade de atendimento para 75 mil desabrigados.

De acordo com o boletim mais recente divulgado pelo Corpo de Bombeiros, às 16:17h desta quinta-feira, 169 pessoas morreram por causa das chuvas dos últimos dias no Estado: 97 em Niterói, 52 no Rio, 16 em São Gonçalo e quatro em outros municípios.

A Defesa Civil afirma que pelo menos 14 mil pessoas ficaram desalojadas desde o começo das enchentes desta semana no Rio. Cerca de 10 mil casas ainda estão em situação de risco.

Responsabilidade

Ainda nesta quinta-feira, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcante, afirmou que a entidade vai apresentar uma representação pedindo que o Ministério Público Federal investigue as responsabilidades pela tragédia provocada pelos temporais no Rio de Janeiro. Segundo ele, os desabamentos no Morro do Bumba, em Niterói, não são consequência apenas das fortes chuvas, mas do fato de as casas atingidas terem sido construídas sobre um antigo lixão.

“A conivência acaba levando a esse tipo de desgraça”, disse ele.

A OAB quer ainda criar ainda uma comissão especial de advogados, dentro da própria entidade, para tratar especificamente do planejamento urbanístico das cidades brasileiras. O objetivo é contribuir para a prevenção de tragédias como a do Rio de Janeiro.