Países tentam superar divisões em nova reunião da ONU sobre clima

Manifestantes em Bonn
Image caption Manifestantes querem acordo com vínculo legal para corte de emissões

A primeira rodada de negociações sobre as mudanças climáticas desde a reunião da ONU em Copenhague, em dezembro, começou nesta sexta-feira em Bonn, na Alemanha, em meio à divisão entre os países participantes.

A reunião de Copenhague (COP 15) terminou em dezembro sem um consenso, mas com um documento apoiado pela maioria dos 194 países que participaram do encontro.

O chamado Acordo de Copenhague prevê um limite de 2ºC para o aumento da temperatura global, além de um fundo de financiamento para países vulneráveis.

Os países em desenvolvimento afirmam que a Convenção do Clima da ONU é o fórum de discussões e negociações para um acordo global e querem que um acordo seja fechado até o final de 2010. No entanto, alguns representantes temem o colapso das negociações.

"Existe vontade política entre os países em desenvolvimento. Eles trabalham para um acordo que inclua mais reduções das emissões de acordo com o Protocolo de Kyoto", afirmou Martin Khor, diretor-executivo do Centro Sul (organização intergovernamental de países em desenvolvimento) à BBC.

"Mas é uma outra questão se há vontade política entre os países industrializados", acrescentou.

Negociações

Image caption Países mais pobres seriam os mais atingidos pelo aumento das temperaturas

Na abertura da reunião, representantes de países em desenvolvimento afirmaram que a necessidade de um novo acordo global "é maior do que nunca" e pediram negociações intensivas durante 2010 para fechar um acordo de vínculo legal em dezembro.

O representante mexicano Fernando Tudela declarou que é preciso "um processo autêntico de negociações multilaterais". O México vai sediar a próxima conferência da ONU sobre o clima em dezembro.

A União Europeia apoiou o pedido de Tudela, voltando a afirmar que a conclusão do encontro de Copenhague em dezembro não atendeu às expectativas.

Os Estados Unidos, que não se pronunciaram na sessão de abertura da reunião de três dias, afirmam que o acordo resultante da Cop 15 "alcança vários marcos".

Imediatamente depois da reunião em Copenhague, os Estados Unidos deram sinais de que teriam formado uma aliança com o grupo de países que reúne Brasil, China, Índia e África do Sul.

Havia sinais de que este grupo via o acordo fechado na COP 15, com sua natureza voluntária, como uma opção mais atraente do que as negociações tradicionais e os compromissos supostamente obrigatórios do processo da ONU.

Mas o grupo de países formado por Brasil, China, Índia e África do Sul afirmou que a Convenção sobre o Clima da ONU deve ser a entidade soberana para as negociações internacionais sobre o clima.

Mais de 120 países enviaram cartas para a ONU para manifestar seu apoio, ou a falta dele, ao acordo. A maioria endossa o documento, mas muitos afirmam que ele foi apenas uma declaração política, que levará a um acordo mais completo em algum momento do processo.

Fontes afirmam que os Estados Unidos estariam "assediando" pequenos países em desenvolvimento para que eles endossem o acordo, alegando que, caso contrário, eles poderiam não receber ajuda financeira de países ricos.

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