China volta a rejeitar sanções contra o Irã

Hu Jintao e Barack Obama
Image caption Obama e Hu Jintao se encontraram em Washington antes da cúpula

O Ministério do Exterior chinês voltou a afirmar que a disputa nuclear envolvendo o Irã não pode ser resolvida através de sanções, horas após o presidente chinês acenar, em Washington, com a possibilidade de trabalhar juntamente com os Estados Unidos em uma resolução da ONU contra Teerã.

Durante o rotineiro encontro com a imprensa, em Pequim, o porta-voz do Ministério, Jiang Yu, disse que a o país "acredita que o diálogo e as negociações são a melhor maneira de resolver de forma apropriada o tema nuclear iraniano".

"Sanções e pressão não podem solucionar a essência do problema. Acreditamos que as ações relevantes tomadas pelo Conselho de Segurança da ONU deveriam aliviar a situação e avançar, resolvendo o problema através do diálogo e de negociações."

Na segunda-feira, o presidente americano, Barack Obama, recebeu o presidente chinês, Hu Jintao, em uma reunião bilateral em que foram discutidas a questão nuclear iraniana e a desvalorização da moeda chinesa em relação ao dólar.

Depois do encontro, a Casa Branca disse que os dois líderes orientaram seus diplomatas a trabalhar em uma possível nova rodada de sanções.

Os chineses, porém, foram menos enfáticos. Reiteraram a defesa do diálogo como forma de solucionar a questão nuclear iraniana, mas disseram que os Estados Unidos e a China compartilham o mesmo objetivo.

Os dois presidentes participam em Washington da Cúpula sobre Segurança Nuclear, que reúne representantes de 47 países para discutir medidas para impedir que material nuclear caia em poder de organizações terroristas.

A China é um dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com direito a veto.

O país tradicionalmente se posiciona contra a imposição de novas sanções contra o Irã e defende o caminho do diálogo para resolver a questão.

Nos últimos dias, no entanto, Pequim tem dado sinais de que poderia mudar de opinião. O governo chinês já aceitou discutir a questão e, na semana passada, enviou um diplomata a uma reunião sobre o tema em Nova York.

O analista de defesa e segurança da BBC, Nick Childs, disse que é clara, entre os americanos, a percepção de ter convencido os chineses a começar a aceitar sanções contra o Irã.

Porém os chineses continuam céticos em relação a sanções e interessados em negócios com Teerã, e ainda é cedo para avaliar se a pressão de Washington será bem-sucedida.

Para o analista, a complexidade da equação será traduzir as convergências em uma política que possa ser aceita por ambos os países, em meio à impaciência do governo Obama para tomar uma atitude contra o Irã.

O presidente americano já disse que espera uma nova resolução da ONU dentro de "semanas".

Os outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia - já se posicionaram a favor de uma quarta rodada de sanções.

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