Rússia e EUA fecham acordo para eliminar 68 t de plutônio

Hillary Clinton e Sergei Lavrov em Washington
Image caption EUA e Rússia afirmam querer reduzir arsenais de forma irreversível

A Rússia e os Estados Unidos fecharam nesta terça-feira um acordo que prevê que os dois países irão se desfazer de 68 toneladas de plutônio altamente enriquecido, que poderia ser usado em armas nucleares.

Segundo o acordo, anunciado na Cúpula sobre Segurança Nuclear, em Washington, cada um dos países irá se desfazer de 34 toneladas do material a partir de 2018.

A Rússia revelou que deverá gastar US$ 2,5 bilhões para se desfazer de plutônio e também fechará o último reator ainda usado para produzir o material no país.

Por sua vez, os Estados Unidos prometeram investir US$ 400 milhões para eliminar o plutônio, e disseram que o material será agora usado como combustível para a geração de energia elétrica.

Em um comunicado, o presidente americano, Barack Obama, disse que a decisão russa de se desfazer do plutônio representa “um importante avanço que continua a demonstrar a liderança russa na área de segurança nuclear, e vai dar impulso ao nosso objetivo global conjunto”.

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México e Ucrânia

O México também prometeu se desfazer de seu urânio que poderia ser usado na fabricação de armas nucleares.

O país vai trabalhar com os Estados Unidos, Canadá e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da ONU, para converter o urânio altamente enriquecido para urânio com grau mais baixo de enriquecimento, para uso em combustível, de acordo com declarações da Casa Branca.

Na segunda-feira, a Ucrânia já havia afirmado que vai enviar seu urânio com alto grau de enriquecimento a locais protegidos para armazenamento, no exterior, possivelmente para a Rússia ou Estados Unidos.

Leia: Ucrânia promete eliminar urânio altamente enriquecido até 2012

Estima-se que existam no mundo cerca de 1,6 mil toneladas de urânio altamente enriquecido, o tipo que pode ser usado em armas nucleares.

Especialistas afirmam que a maior parte dele é mantida na Rússia e em outros países que já têm capacidade nuclear reconhecida.

Na quinta-feira passada, o presidente Obama e seu colega russo, Dmitry Medvedev, assinaram o acordo bilateral de redução de seus arsenais de armas nucleares mais significativo em 20 anos.

O acordo estabelece que a redução ocorrerá ao longo de sete anos e que cada parte limitará o seu número de ogivas nucleares a 1.550. O novo teto é cerca de 30% menor que o de 2,2 mil ogivas previsto pelo acordo antigo de redução nuclear russo-americano.

Leia: EUA e Rússia assinam maior acordo de redução de armas nucleares em 20 anos

No começo da semana, Obama aprovou uma nova política nuclear para os Estados Unidos, afirmando que planeja cortar o arsenal nuclear, reduzir os testes nucleares e não usar armas nucleares contra países que não possuem estas armas.

Leia: Novo plano de defesa dos EUA restringe uso de armas nucleares

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