Cinzas vulcânicas

Caos aéreo põe em risco criança que aguarda medula para transplante

Uma criança de três anos corre risco de vida em um hospital britânico por causa do caos no tráfego aéreo provocado pelas cinzas de um vulcão na Islândia, que está impedindo a chegada de medula óssea do Canadá para um transplante.

Segundo a entidade beneficente britânica Anthony Nolan Trust, que oferece auxílio a pacientes que precisam desse tipo de transplante, 16 pessoas estão em situação crítica por causa da crise que afeta os transportes aéreos na Grã-Bretanha.

Falando à BBC, a assessora de imprensa da entidade, Victoria Moffet, disse que se a suspensão nos voos for mantida, mais e mais pacientes correrão risco de vida.

O espaço aéreo da Grã-Bretanha, encoberto por uma nuvem de cinzas expelidas pelo vulcão da geleira de Eyjafjallajoekull, na Islândia, está fechado desde quinta-feira passada.

Moffet disse que os couriers da entidade, que trabalham como voluntários, estão explorando todas as alternativas possíveis de transportes em um esforço hercúleo para trazer material para os transplantes, pelo continente europeu, para a Grã-Bretanha.

Ela defendeu a ideia de que essas pessoas tenham prioridade na hora de embarcar e contou o caso de uma voluntária que, depois de uma longa jornada por países europeus, conseguiu o último assento livre para viajar para a Inglaterra pelo Eurostar, o trem que cruza o Canal da Mancha.

Drama Humano

Entre os vários casos críticos, chama a atenção o drama de uma criança de três anos que aguarda a chegada de células vitais que deverão ser doadas por uma pessoa no Canadá.

Na expectativa de receber o transplante, ela teve todas as células brancas (ou leucócitos, responsáveis pelo sistema de defesa do organismo) retiradas de seu corpo, em um processo preparatório que dura em torno de quatro dias.

Nesse meio tempo, do outro lado do Atlântico, no Canadá, uma pessoa com o tipo de sangue apropriado se preparava para doar sangue que seria transportado, por avião, para a Grã-Bretanha - mas o procedimento teve de ser suspenso.

O doador é a única pessoa identificada até agora com o exato tipo de sangue necessário para salvar a vida da criança britânica.

Uma vez que as células são extraídas, podem sobreviver por um período máximo de 72 horas.

Moffet disse que, em algumas circunstâncias, o material pode ser congelado, mas, nesse caso específico, cada minuto é vital, porque a criança - cujo nome não pode ser revelado - já teve sua imunidade retirada e corre risco de vida no hospital.

A assessora não soube precisar se a situação da criança pode ser revertida (ou seja, se sua imunidade poderia ser restituída temporariamente) ou por quanto tempo ela poderá sobreviver em isolamento total no hospital.

Ela apelou para que mais pessoas se voluntariem como doadores, especialmente aquelas que vivem na Grã-Bretanha.

A medula óssea é o tecido líquido-gelatinoso que ocupa o interior dos ossos.

O transplante de medula é indicado como tratamento para algumas doenças que afetam as células do sangue, como leucemia e linfoma.

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