Americano que culpou Holocausto por sonegação de impostos é condenado

UBS (arquivo)
Image caption A UBS admitiu manter centenas de contas de americanos que evitavam pagar impostos

Um fabricante de relógios de cidadania americana que justificou ter escondido milhões de dólares em bancos estrangeiros por "instinto de sobrevivência" aprendido no Holocausto foi condenado a dez meses de prisão nos Estados Unidos.

Jack Barouh, de 65 anos, admitiu ter ocultado informações do fisco americano em fevereiro, mas disse que seu comportamento reservado foi motivado por um sentimento de perseguição e perda repentina que afetou os judeus vítimas do Holocausto.

Os pais de Barouh, judeus que viviam na Áustria, sobreviveram à matança promovida pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial e fugiram para a Colômbia, onde ele nasceu.

Apesar de um especialista ter atestado que Barouh desenvolveu uma mentalidade de "esconder e acumular" coisas encontrada com frequência entre sobreviventes e suas famílias, as autoridades americanas não foram tolerantes.

"Isso não dá a este réu licença para violar a lei", disse o procurador assistente, Jeffrey Neiman. "Fraude fiscal é fraude fiscal."

Barouh estava entre muitos cidadãos americanos em julgamento por sonegação de impostos e que mantinham contas secretas no banco suíço UBS. O banco admitiu para o governo americano que mantinha centenas de contas desse tipo.

Barouh admitiu ter escondido das autoridades cerca de US$ 10 milhões em contas bancárias que controlava entre 2002 e 2008, e que não estavam apenas na Suíça.

A defesa apresentada por Barouh e seu advogado desagradou a associação de sobreviventes do Holocausto, American Gathering of Holocaust Survivors and their Descendants.

Segundo a agência de notícias Reuters, a associação disse que "os sobreviventes do Holocausto e seus familiares rejeitam a afirmação degradante de que o 'instinto de sobrevivência' aprendido no Holocausto pode justificar sonegação ilegal de impostos".