PSB descarta Ciro Gomes nas eleições e sinaliza apoio a Dilma

Ciro e Dilma com Lula, quando eram seus ministros (Foto: Ricardo Stuckert/ ABr)
Image caption Ciro e Dilma com Lula, quando eram seus ministros (Foto: Ricardo Stuckert/ ABr)

Em reunião da executiva nacional nesta terça-feira, a cúpula do PSB confirmou que o partido não terá candidato próprio nas eleições presidenciais, enterrando de vez as pretensões do deputado federal Ciro Gomes (CE) em entrar na disputa.

Com essa decisão, o partido se aproxima ainda mais da base de apoio à pré-candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff (PT).

Segundo o presidente nacional do partido e governador de Pernambuco, Eduardo Campos, a consulta feita aos 27 diretórios regionais e aos movimentos sociais foi o que “influenciou” na decisão de “vetar” a candidatura de Ciro Gomes.

Questionado sobre o apoio a Dilma Rousseff nas eleições deste ano, Campos disse que esse é o “caminho natural”, mas que a decisão será formalizada no dia 17 de maio.

A reunião durou cerca de três horas e teve a participação de cerca de 30 integrantes do partido. O deputado Ciro Gomes preferiu não estar presente, segundo ele para não “constranger” a decisão de seus colegas.

Na semana passada, ganhou fôlego a versão de que o PSB já teria decidido enterrar a possibilidade de uma candidatura própria, em prol de uma aliança com o PT.

Após a divulgação do anúncio, Ciro Gomes afirmou, em comunicado publicado em seu website, que acata a decisão do partido, mas que considera "um erro tático".

"A cúpula de meu partido, o PSB, decidiu-se por não me dar a oportunidade de concorrer à Presidência da República. Esta sempre foi uma das possibilidades de desdobramento da minha luta. Aliás, esta sempre foi a maior das possibilidades. Acho um erro tático em relação ao melhor interesse do partido e uma deserção de nossos deveres para com o País", afirmou o deputado.

‘Demora’

Os principais partidos com uma provável candidatura própria (PSDB, PT, PV e Psol) já apresentaram os nomes que pretendem lançar nas eleições deste ano.

Já o PSB vinha adiando essa definição, dividido entre lançar-se sozinho na campanha – com Ciro Gomes – ou apoiar a candidata do governo, Dilma Rousseff.

Para muitos analistas políticos, a indefinição acabou prejudicando Ciro Gomes nas pesquisas de intenção de voto. Considerando a média dos principais institutos, a preferência pelo deputado caiu de 17% em setembro para 8% em abril.

Em um artigo publicado há duas semanas em seu site, Ciro criticou a falta de apoio de seu partido. “O que é o PSB? Um ajuntamento como tantos outros, ou a expressão de um pensar audacioso e idealista sobre o Brasil? Vai se decidir isto agora”, escreveu.

O deputado federal também criticou a postura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estaria, segundo ele, “navegando na maionese e se sentindo o Todo-Poderoso”.

Em entrevista ao iG na última sexta-feira, Ciro disse achar Dilma “melhor como pessoa”, mas que Serra seria “mais preparado, mais capaz” para assumir a Presidência.

Tempo de TV

Dentro do PSB, um dos argumentos contrários a uma candidatura própria estaria no “pouco tempo” de TV a que o partido tem direito – de pouco mais de um minuto – o que seria insuficiente para sustentar a ideia.

Ainda de acordo com essa avaliação, a saída para o PSB seria o fortalecimento da legenda nos governos estaduais e no Legislativo (Câmara e Senado), o que deixaria o partido com mais espaço na TV em disputas futuras.

Segundo um deputado filiado ao PSB, o caminho “natural” é o apoio à Dilma Rousseff, já que o partido faz parte da base aliada ao governo Lula.

Mas segundo essa mesma fonte, os partidos ainda vão “sentar para discutir” os detalhes de uma aliança e como será sua composição nos estados.

Pesquisas

A saída de Ciro Gomes do pleito deverá colocar a disputa à Presidência ainda mais perto de uma polarização entre Serra e Dilma.

Não há consenso, porém, sobre o que acontecerá com os votos que até então vinham sendo previstos para Ciro.

As últimas pesquisas do Ibope e do Datafolha mostram que, em um cenário sem Ciro Gomes, Serra ganharia 4 pontos percentuais, Dilma, 2 a 3 pontos e Marina, 2 pontos – resultado que beneficia o tucano.

Já o cientista político Alberto Carlos Almeida tem outra interpretação. Segundo ele, uma avaliação feita “ao longo do tempo” coloca a ex-ministra em posição de vantagem em um cenário sem Ciro Gomes.

“Desde novembro, Ciro vem caindo nas pesquisas, enquanto Dilma vem subindo”, diz.

Segundo ele, o eleitor de Ciro está majoritariamente no Nordeste e se indentifica mais com o governo Lula.

“O Serra é muito conhecido (no Nordeste) e eles mesmo assim não votam no Serra”, diz o cientista político.