Lula afasta hipótese de enriquecer urânio do Irã no Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foto AP
Image caption Lula disse que países mais próximos ao Irã devem realizar tarefa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o Brasil não considera a possibilidade de enriquecer o urânio iraniano em território brasileiro.

“O Brasil não trabalha com a hipótese de ser depositário do urânio do Irã”, disse o presidente, logo após um encontro com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em Brasília.

Segundo Lula, essa tarefa deve ser desempenhada por países “mais próximos” geograficamente do Irã.

No ano passado, a AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica, ligada à ONU), com o apoio de vários países, apresentou ao Irã uma proposta que prevê a entrega de urânio iraniano levemente enriquecido a um terceiro país, que ficaria responsável por transformá-lo em combustível antes que ele fosse devolvido a Teerã.

Rússia e Turquia têm sido as mais cotadas a desempenhar esse papel, mas recentemente o Brasil também passou a ser citado como uma opção.

Invasão

Lula também disse que não reconhece a “hipótese” de que forças americanas invadam o Irã, caso prossiga o impasse envolvendo o programa nuclear iraniano.

Os Estados Unidos e outros países suspeitam que o Irã está procurando desenvolver armas atômicas, mas Teerã alega que o seu programa nuclear tem fins pacíficos.

"Não vejo hipótese nem oportunidade política de os Estados Unidos invadirem o Irã. Isso nunca foi discutido nos fóruns multilaterais, nem no Conselho de Segurança da ONU", disse o presidente.

Segundo ele, o governo brasileiro espera "convencer" o Irã a não dar um passo adiante para construir uma bomba nuclear.

"O Brasil tem tamanho e grandeza para jogar esse papel no mundo", disse o presidente, referindo-se às tentativas do governo brasileiro na intermediação de um acordo com Teerã.

"Cuida de conflitos quem tem experiência de paz, como o Brasil", acrescentou.

Amorim

Lula disse que ainda não teve retorno sobre a viagem de dois dias do chanceler Celso Amorim a Teerã e que os dois deverão discutir o assunto pessoalmente, quando o ministro chegar.

Na terça-feira, durante a visita a Teerã, Amorim também falou sobre a possibilidade de o Brasil enriquecer o urânio do Irã e afirmou que o país poderia analisar a hipótese.

"Até o momento, não houve uma proposta. Mas se recebermos essa proposta, ela seria examinada", disse Amorim.

Leia mais na BBC Brasil: Irã tem que dar garantias sobre programa nuclear, diz Amorim em Teerã

Durante a visita ao Irã, Amorim se encontrou com o presidente do Parlamento iraniano, Ari Larijani, com o chanceler do país, Manouchehr Mottaki, e com o presidente, Mahmoud Ahmadinejad.

O chanceler voltou a defender o diálogo como a melhor saída para o programa nuclear do país e afirmou que encerrou sua missão no país de forma “mais otimista” sobre um acordo para evitar as sanções.

Apesar do apoio a uma saída diplomática ao impasse, Amorim afirmou que o Irã tem que garantir à comunidade internacional que seu programa não tem objetivos militares.

"O Irã deve ter o direito de manter atividades nucleares pacíficas, mas a comunidade internacional deve receber garantias de que não haverá violações nem desvios para o uso em fins militares", afirmou o ministro.

"Na maioria das vezes, por algum motivo, pode haver dúvidas e até suspeitas. Mas o que o Brasil diz é que todas essas ambiguidades precisam ser eliminadas."

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