Ausência europeia e Brasil 'carioca' marcam 1ª Copa

A história das Copas do Mundo não teve um início fácil. Por causa de desavenças com a Fifa e da longa viagem até a América do Sul, a maior parte das seleções europeias decidiu não participar do primeiro Mundial, no Uruguai, em 1930.

Image caption A famosa "Celeste" uruguaia, campeã olímpica e primeira campeã mundial

Brigas políticas também marcaram a participação do Brasil na primeira Copa. Uma disputa entre a Confederação Brasileira de Desportos (CBD) e a Associação Paulista de Esportes Atléticos desfalcou a Seleção.

De São Paulo, apenas o jogador do Santos Araken Patuska quis jogar. Ficaram de fora craques como Friendereich, Feitiço, Nestor, Amílcar e outros.

A ausência dos paulistas fez com que a imprensa apelidasse o Brasil de 30 de "carioquinha".

Treze equipes disputaram a Copa. De uma Europa enciumada com a escolha do Uruguai, então bicampeão olímpico, como sede, só vieram Bélgica, França, Iugoslávia e Romênia.

A realização de um torneio mundial de futebol, sonho antigo do francês Jules Rimet, foi aprovado em maio de 1928. "O Congresso (da Fifa) decidiu organizar, em 1930, uma competição para os selecionados de todas as entidades filiadas", anunciou o próprio Rimet.

Com a realização Copa em seu solo, os uruguaios comemorariam o centenário da sua independência. Foi construído para o Mundial o hoje tradicional estádio Centenário, em Montevidéu, com capacidade para 80 mil pessoas.

Brasil

A participação da Seleção “carioquinha” na primeira Copa do Mundo foi apagada. O Brasil iniciou a sua vitoriosa história em Mundiais no dia 14 de julho, com uma derrota: 2 a 1 para a Iugoslávia.

O autor do primeiro gol brasileiro em Copas do Mundo foi Preguinho, jogador do Fluminense.

O Brasil golearia ainda a Bolívia por 4 a 0, mas os resultados do grupo classificaram a Iugoslávia para a segunda fase e eliminaram o Brasil.

A participação do primeiro juiz brasileiro em Copas também deixou a desejar. No jogo em que a Argentina venceu a França por 1 a 0, o árbitro Almeida Rego se confundiu e apitou o final do jogo aos 39 minutos do segundo tempo.

Alertado pelos auxiliares, o juiz cedeu às pressões dos franceses e chamou os argentinos de volta para o campo para que disputassem os minutos restantes. O placar, contudo, não se alterou.

Os argentinos chegaram à final, junto com os uruguaios, que nas semis haviam passado pelos iugoslavos, algozes do Brasil.

No dia 30 de julho, um público estimado em 90 mil pessoas viu o Uruguai levar a melhor na final sul-americana. A Argentina terminou o primeiro tempo na frente, 2 a 1, mas os uruguaios viraram para 4 a 2.

O Uruguai conquistou o troféu que viria a se chamar Jules Rimet, uma taça em ouro maciço criada pela Fifa. A primeira seleção que conquistasse a Copa três vezes levaria o prêmio em definitivo.

Grupo 1

França 4 x 1 México Argentina 1 x 0 França Chile 3 x 0 México Argentina 6 x 3 México Chile 1 x 0 França Argentina 3 x 1 Chile

Grupo 2

Iugoslávia 2 x 1 Brasil Iugoslávia 4 x 0 Bolívia Brasil 4 x 0 Bolívia

Grupo 3

Romênia 3 x 1 Peru Uruguai 1 x 0 Peru Uruguai 4 x 0 Romênia

Grupo 4

Estados Unidos 3 x 0 Bélgica Estados Unidos 3 x 0 Paraguai Paraguai 1 x 0 Bélgica

Semifinais

Argentina 6 x 1 Estados Unidos Uruguai 6 x 1 Iugoslávia

Final

Uruguai 4 x 2 Argentina