Maracanã, 1950: o Brasil conhece o trauma no futebol

Destruídos e abalados pela Segunda Guerra Mundial, nenhum país europeu tinha condição de abrigar a primeira Copa do pós-guerra. O Brasil foi candidato único à sede do Mundial de 1950.

Image caption O time uruguaio campeão de 50 que calou o Maracanã

As autoridades brasileiras construíram o Maracanã, no Rio de Janeiro, para receber a Copa. Com capacidade para cerca de 200 mil pessoas, o estádio era então o maior do mundo.

Em 1950, o troféu da competição passou a ser chamado Jules Rimet, em homenagem ao presidente da Fifa. Também em 50, os jogadores usaram pela primeira vez em Mundiais números na camisa.

Doze seleções disputaram a Copa no Brasil, incluindo a Inglaterra, que fazia a sua estréia no torneio, e o Uruguai, que, desde a conquista de 1930, não participava.

Barbosa, Castilho, Augusto, Nena, Juvenal, Bigode, Nilton Santos, Bauer, Danilo, Eli, Rui, Noronha, Friaça, Alfredo, Zizinho, Maneca, Ademir, Baltasar, Jair, Adãozinho, Chico e Rodrigues.

Fiasco inglês

O Brasil não contava mais com a estrela Leônidas da Silva, mas a Seleção tinha como base o excelente time do Vasco da Gama na época, conhecido como “Expresso da Vitória”.

Os brasileiros estrearam em grande estilo no dia 24 de junho, no Maracanã, contra o México. Brasil 4 a 0, dois gols de Ademir, um de Jair e outro de Baltasar.

O destaque na primeira fase do Mundial foi o fiasco inglês. Numa das maiores zebras de todas as Copas, os ingleses perderam para os Estados Unidos, em Belo Horizonte, por 1 a 0.

Uma equipe se classificou de cada um dos quatro grupos para disputar o troféu em um quadrangular final. Entre elas, o Brasil.

A Seleção estreou na fase final com um passeio no Maracanã: 7 a 1 na Suécia. Ademir marcou quatro gols e, junto com Zizinho, comandou a equipe.

Quatro dias depois, em 13 de julho, o Brasil voltou ao Maracanã para pegar a Espanha. Mais de 150 mil pessoas incentivaram o Brasil ao coro de Touradas em Madri, composição de Braguinha popularizada por Carmen Miranda.

O Brasil venceu a Espanha por 6 a 1, e o seu último jogo no Mundial seria de fato a final da Copa. Espanha e Suécia não tinham mais chances, e os uruguaios só conquistariam o título se vencessem os brasileiros.

No que é considerada a maior tragédia do futebol brasileiro, a Seleção, que vinha embalada e jogava pelo empate, perdeu de virada para o Uruguai num Maracanã com 173 mil pessoas e deixou a Copa do Mundo lhe escapar.

Em entrevista à BBC, o meia Zizinho disse que os brasileiros não subestimaram a seleção uruguaia: "Nós os conhecíamos de torneios sul-americanos e sabíamos que tinham um time fortíssimo, difícil de ser batido. Sempre endureciam contra o Brasil".

Friaça abriu o placar para o Brasil, no segundo tempo, naquele 16 de julho. O gol de Schiaffino aos 22 minutos esfriou a festa brasileira, que já havia se iniciado. Treze minutos depois, o ponta Ghiggia calou o país: Uruguai 2 a 1.

O mundo tinha outro bicampeão de futebol, o Uruguai. Os dirigentes da Confederação Brasileira de Desportos (CBD) recusaram-se a entregar o troféu ao capitão uruguaio, Obdulio Varela, como previa o protocolo da Fifa. Obdulio recebeu a Jules Rimet das mãos do próprio Rimet.

Ademir Menezes foi o destaque brasileiro e artilheiro do torneio com 9 gols. O segundo gol uruguaio foi considerado uma falha do goleiro Barbosa, que se tornou dali para frente talvez o maior bode expiatório daquele fracasso.

Grupo 1

Brasil 4 x 0 México Iugoslávia 3 x 0 Suíça Iugoslávia 4 x 1 México Brasil 2 x 2 Suíça Brasil 2 x 0 Iugoslávia Suíça 2 x 1 México

Grupo 2

Inglaterra 2 x 0 Chile Espanha 3 x 1 Estados Unidos Espanha 2 x 0 Chile Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra Espanha 1 x 0 Inglaterra Chile 5 x 2 Estados Unidos

Grupo 3

Suécia 3 x 2 Itália Suécia 2 x 2 Paraguai Itália 2 x 0 Paraguai

Grupo 4

Uruguai 8 x 0 Bolívia

Quadrangular final

Brasil 7 x 1 Suécia Uruguai 2 x 2 Espanha Brasil 6 x 1 Espanha Uruguai 3 x 2 Suécia Suécia 3 x 1 Espanha Uruguai 2 x 1 Brasil