Maradona brilha e Argentina é bicampeã em 1986

Nunca um jogador foi tão decisivo para a sua seleção na conquista de uma Copa quanto Maradona. Nenhum Mundial foi tão dominado pela figura de um jogador, como México 86 foi pela dele. A promessa argentina se concretizava de vez.

Entrou para a história das Copas do Mundo a partida de quartas-de-final entre a Inglaterra e a Argentina, quatro anos depois de as forças armadas dos dois países guerrearem nas Malvinas, ilhas chamadas de Falklands pelos britânicos.

Os argentinos, de camisa azul-escura, venceram por 2 a 1, dois gols de Maradona, dois gols antológicos, por diferentes motivos.

'Mão de Deus'

No primeiro, o jogador disputou uma bola alta na área com o goleiro Shilton. Ele chegou antes e socou a bola por cima do inglês, para as redes. O lance foi rápido a ponto de muitos não perceberem de primeira a irregularidade. Entre eles, o juiz, que validou o gol.

Após a partida, Maradona declararia que fizera o gol com a “mão de Deus”.

O craque ampliou a vantagem argentina logo depois, ao marcar o gol considerado o mais bonito das Copas. Maradona partiu do campo de defesa, driblou seis ingleses, incluindo o goleiro, e tocou para as redes.

No jogo seguinte, a semifinal contra a Bélgica, Maradona produziu jogada semelhante. Ele fez fila na defesa belga antes de marcar um dos gols da vitória por 2 a 0.

Na final, Argentina e Alemanha realizaram partida disputada. Quando a Argentina abriu dois gols de vantagem no segundo tempo, o título parecia definido. A Alemanha, no entanto, especialista em frustrar favoritos, reagiu e empatou em 2 a 2.

Nos últimos minutos, num dos raros momentos que Maradona conseguiu se livrar da marcação dura, ele colocou Burrochaga na cara do gol. O atacante não desperdiçou, e a vitória por 3 a 2 deu o bicampeonato aos argentinos.

O capitão Maradona recebeu e levantou a taça. Nada mais justo. A taça era realmente dele.

“Dinamáquina”

Na fase inicial da Copa, a Argentina dividira os holofotes com a seleção da Dinamarca, que despontava como sensação do Mundial.

A Dinamarca humilhara os uruguaios, bicampeões mundiais: 6 a 1. Havia batido a também bicampeã Alemanha por 2 a 0 e ganhara o apelido de “Dinamáquina”.

Nas oitavas-de-final, contudo, o time parou diante da Espanha e, para a surpresa geral, tomou de 5 a 1, despendindo-se do Mundial.

No lado brasileiro, a campanha de 86 foi marcada pela contusão do seu maior nome, Zico. Telê levou o jogador, mesmo machucado, na expectativa que ele se recuperasse.

Na primeira fase, o Brasil jogou o suficiente para se classificar em primeiro do grupo. Venceu a Espanha, na estréia, por 1 a 0. Repetiu o placar contra a Argélia e ganhou com mais folga da Irlanda do Norte, 3 a 0.

Os brasileiros melhoraram nas oitavas-de-final, quando golearam a Polônia por 4 a 0. Nas quartas, a Seleção enfrentaria o time que antes do torneio era um das favoritos, mas cujas atuações no Mundial decepcionavam.

Mesmo assim, a França, campeã européia, dos craques Platini e Tigana, seria o adversário mais difícil até então no Mundial.

O jogo foi aberto, os dois times buscavam atacar. Após o 1 a 1 do primeiro tempo, Telê botou Zico em campo. Na sua primeira jogada, ele lançou o lateral Branco, que sofreria pênalti.

O próprio Zico se encarregou da cobrança. Ele bateu fraco, quase em cima do goleiro Bats, que defendeu a bola e salvou a França. O 1 a 1 prevaleceu até o final, inclusive o da prorrogação. Na disputa de pênaltis, Zico agora marcou, mas de nada adiantou. A França ganhou por 4 a 3.

Depois, em entrevista à BBC, Zico comentaria o pênalti perdido: "Eu tinha acabado de entrar e ainda estava meio frio, ainda não estava no ritmo da partida. Não queria cobrar, mas acabou sobrando pra mim, pois no treino do dia anterior eu tive o melhor índice de aproveitamento".

Grupo 1

Bulgária 1 x 1 Itália Argentina 3 x 1 Coréia do Sul Coréia do Sul 1 x 1 Bulgária Itália 1 x 1 Argentina Argentina 2 x 0 Bulgária Itália 3 x 2 Coréia do Sul

Grupo 2

México 2 x 1 Bélgica Paraguai 1 x 0 Iraque México 1 x 1 Paraguai Bélgica 2 x 1 Iraque México 1 x 0 Iraque Paraguai 2 x 2 Bélgica

Grupo 3

França 1 x 0 Canadá União Soviética 6 x 0 Hungria França 1 x 1 União Soviética Hungria 2 x 0 Canadá União Soviética 2 x 0 Canadá França 3 x 0 Hungria

Grupo 4

Brasil 1 x 0 Espanha Argélia 1 x 1 Irlanda do Norte Brasil 1 x 0 Argélia Espanha 2 x 1 Irlanda do Norte Brasil 3 x 0 Irlanda do Norte Espanha 3 x 0 Argélia

Grupo 5

Dinamarca 1 x 0 Escócia Uruguai 1 x 1 Alemanha Ocidental Dinamarca 6 x 1 Uruguai Alemanha Ocidental 2 x 1 Escócia Escócia 0 x 0 Uruguai Dinamarca 2 x 0 Alemanha Ocidental

Grupo 6

Marrocos 0 x 0 Polônia Portugal 1 x 0 Inglaterra Inglaterra 0 x 0 Marrocos Polônia 1 x 0 Portugal Marrocos 3 x 1 Portugal Inglaterra 3 x 0 Polônia

Oitavas-de-final

Bélgica 4 x 3 União Soviética México 2 x 0 Bulgária Brasil 4 x 0 Polônia Argentina 1 x 0 Uruguai França 2 x 0 Itália Alemanha Ocidental 1 x 0 Marrocos Inglaterra 3 x 0 Paraguai Espanha 5 x 1 Dinamarca

Quartas-de-final

França 1 x 1 Brasil (França venceu nos pênaltis: 4 X 3) Alemanha Ocidental 0 X 0 México (Alemanha Ocidental venceu nos pênaltis: 4 X 1) Argentina 2 X 1 Inglaterra Bélgica 1 X 1 Espanha (Bélgica venceu nos pênaltis: 5 X 4)

Semifinais

Alemanha Ocidental 2 X 0 França Argentina 2 X 0 Bélgica

Disputa pelo terceiro lugar

França 4 X 2 Bélgica

Final

Argentina 3 X 2 Alemanha Ocidental