Brasil reafirma hegemonia com o penta em 2002

A primeira Copa do Mundo na Ásia ficou marcada pelos grandes fiascos, as arbitragens polêmicas, a festa das torcidas japonesa e sul-coreana e a redenção do atacante Ronaldo, o personagem do pentacampeonato brasileiro.

No Mundial em que as favoritas ao título, França e Argentina, não passaram da primeira fase, o desacreditado Brasil, de Luiz Felipe Scolari, que sofreu para se classificar para a Copa, conquistou o penta de forma convincente, com sete vitórias em sete jogos.

Para tal feito, provaram-se cruciais a união do grupo, a chamada “família Scolari, e a aposta de Felipão nas duas estrelas do futebol brasileiro, que voltavam de contusão. Ronaldo e Rivaldo superaram as expectativas e marcaram 13 dos 18 gols do Brasil no torneio.

Image caption Rivaldo foi o grande destaque da seleção brasileira

Ronaldo, acusado quatro anos antes de “amarelar” na final contra a França, retornava de uma contusão no joelho que muitos julgaram que encerraria a sua carreira. Ele foi o artilheiro da Copa (oito gols) e autor dos dois gols da vitória na final contra a Alemanha. Ronaldo foi um dos grandes destaques da Copa, juntamente com o meia Rivaldo.

Fiascos

Se o Brasil superou expectativas, esse não foi o caso das principais candidatas ao título na Copa do Mundo do Japão e da Coréia do Sul. A então campeã, a França, também vencedora da Eurocopa 2000, não marcou um gol sequer no torneio. Um fiasco.

A outra favorita ao título, a Argentina, de Crespo, Verón, Sorín e Batistuta, também não passou para as oitavas. Um empate, uma vitória e uma derrota não foram suficientes para classificá-la no “grupo da morte”, com Inglaterra, Suécia e Nigéria.

A sensação do torneio foi um dos países-sede, a Coréia do Sul. Com um esquema ofensivo montado pelo técnico holandês Guus Hiddink, os sul-coreanos eliminaram o badalado time de Portugal na primeira fase.

Nas oitavas, os donos da casa enlouqueceram a torcida ao derrotarem a tricampeã Itália, na morte súbita. Na fase seguinte, despacharam mais uma equipe tradicional do futebol, a Espanha, nos pênaltis.

A campanha sul-coreana, entretanto, ficou manchada pelos erros de arbitragem. A Coréia do Sul beneficiou-se de equívocos dos juízes, tanto nas oitavas contra a Itália, quanto nas quartas diante dos espanhóis.

Quatro anos depois dos problemas com a arbitragem, a Fifa em 2006 diminuiu o número de países que enviarão juízes e auxiliares para a Alemanha. Ficaram de fora países com menos tradição no futebol internacional.

Campanha

A arbitragem também marcou a estréia do Brasil na Copa do Mundo, no dia 3 de junho, em Ulsan, na Coréia do Sul. O gol da vitória e da virada do Brasil contra a Turquia por 2 a 1 saiu de um pênalti inexistente no final do jogo.

Contra a Bélgica, no início da fase do mata-mata, os brasileiros foram novamente beneficiados pela arbitragem. O juiz anulou um gol belga legal no primeiro tempo. No segundo, a Seleção se encontrou e venceu por 2 a 0, gols de Ronaldo e Rivaldo.

Nas quartas-de-final, dia 21 de junho, em Shizuoka, o Brasil teve o seu jogo divisor de águas no Mundial, quiçá o mais importante da campanha brasileira.

A adversária Inglaterra vinha embalada, depois de eliminar a arqui-rival Argentina e golear a Dinamarca. Do lado brasileiro, havia receios em relação à defesa, que parecia vulnerável.

Os receios não eram em vão. Logo nos primeiros minutos de jogo, o zagueiro Lúcio, sozinho, falhou e entregou a bola nos pés do rápido Owen: Inglaterra 1 a 0. Esse seria o último gol que a Seleção tomaria no Mundial de 2002.

No fim da etapa inicial, talvez o momento-chave do Brasil na Copa. Os brasileiros roubaram a bola na defesa, e ela sobrou para Ronaldinho Gaúcho. Ele cruza todo o campo em velocidade, gingando e driblando, e a entrega nos pés de Rivaldo.

O atacante colocou de curva, no canto, e o Brasil foi para o intervalo aliviado, com o jogo empatado.

No segundo tempo, o mesmo Ronaldinho bateu uma falta da intermediária, do lado direito do ataque brasileiro, meio em direção ao gol, meio um cruzamento. O goleiro Seaman, mal colocado, foi encoberto pela bola, que entrou no seu ângulo direito. Brasil 2 a 1, placar final.

O Brasil reencontraria a Turquia na semifinal. A Seleção mostrou ser realmente superior aos turcos, que quase não criaram oportunidades de gol. Coube a Ronaldo, que não havia brilhado contra a Inglaterra, fazer de bico, a la Romário, o gol da vitória: 1 a 0.

Image caption O goleiro da Alemanha falhou no primeiro gol do Brasil

Os brasileiros partiram para Yokohama, onde disputariam a sua terceira final de Copa seguida. Do outro lado, a Alemanha. Os dois times nunca haviam se enfrentado numa Copa do Mundo e, quando faziam, decidiriam o primeiro Mundial do século, o primeiro na Ásia.

Na decisão, a Seleção Brasileira se impôs no segundo tempo. Rivaldo chutou da entrada da área, a muralha Oliver Kahn falhou, bateu roupa, e Ronaldo completou para o gol. Em seguida, Rivaldo fez corta-lus para Ronaldo, que, de dentro da área, deslocou Kahn.

O Brasil venceu por 2 a 0, Ronaldo enterrou o fantasma de Paris, e a Seleção começou o século 21 como terminou o passado, no topo da hierarquia do futebol mundial.

Grupo A

França 1 x 0 Senegal Uruguai 1 x 2 Dinamarca França 0 x 0 Uruguai Dinamarca 1 x 1 Senegal Dinamarca 2 x 0 França Senegal 3 x 3 Uruguai

Grupo B

Paraguai 2 x 2 África do Sul Espanha 3 x 1 Eslovênia Espanha 3 x 1 Paraguai África do Sul 1 x 0 Eslovênia África do Sul 2 x 3 Espanha Eslovênia 1 x 3 Paraguai

Grupo C

Brasil 2 x 1 Turquia China 0 x 2 Costa Rica Brasil 4 x 0 China Costa Rica 1 x 1 Turquia Costa Rica 2 x 5 Brasil Turquia 3 x 0 China

Grupo D

Coréia do Sul 2 x 0 Polônia EUA 3 x 2 Portugal Coréia do Sul 1 x 1 EUA Portugal 4 x 0 Polônia Portugal 0 x 1 Coréia do Sul Polônia 3 x 1 EUA

Grupo E

Irlanda 1 x 1 Camarões Alemanha 8 x 0 Arábia Saudita Alemanha 1 x 1 Irlanda Camarões 1 x 0 Arábia Saudita Camarões 0 x 2 Alemanha Arábia Saudita 0 x 3 Irlanda

Grupo F

Inglaterra 1 x 1 Suécia Argentina 1 x 0 Nigéria Suécia 2 x 1 Nigéria Argentina 0 x 1 Inglaterra Suécia 1 x 1 Argentina Nigéria 0 x 0 Inglaterra

Grupo G

Croácia 0 x 1 México Itália 2 x 0 Equador Itália 1 x 2 Croácia México 2 x 1 Equador México 1 x 1 Itália Equador 1 x 0 Croácia

Grupo H

Japão 2 x 2 Bélgica Rússia 2 x 0 Tunísia Japão 1 x 0 Rússia Tunísia 1 x 1 Bélgica Tunísia 0 x 2 Japão Bélgica 3 x 2 Rússia

Oitavas-de-final

Alemanha 1 x 0 Paraguai Dinamarca 0 x 3 Inglaterra Suécia 1 x 2 Senegal Espanha 1 x 1 Irlanda (Espanha 3 a 2, nos pênaltis) México 0 x 2 EUA Brasil 2 x 0 Bélgica Japão 0 x 1 Turquia Coréia do Sul 2 x 1 Itália

Quartas-de-final

Inglaterra 1 x 2 Brasil Alemanha 1 x 0 EUA Espanha 0 x 0 Coréia do Sul (Coréia do Sul 5 a 3, nos pênaltis) Senegal 0 x 1 Turquia

Semifinais

Alemanha 1 x 0 Coréia do Sul Brasil 1 x 0 Turquia

Disputa pelo 3o lugar

Turquia 3 x 2 Coréia do Sul

Final

Brasil 2 x 0 Alemanha