Lula defende solução 'construída' com a ONU para impasse com Irã

Mahmoud Ahmadinejad e Celso Amorim
Image caption Ahmadinejad se reuniu com o ministro Celso Amorim no mês passado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta quarta-feira que o mundo "precisa" de uma proposta sobre o programa nuclear iraniano que envolva não apenas Teerã, mas também as Nações Unidas.

"Se houver possibilidade de construir junto com a agência atômica (AIEA, braço da ONU), junto com o Conselho de Segurança das Nações Unidas e junto com o Irã, uma proposta que seja aceita pelos dois lados, seria o que todo mundo precisa", disse.

Lula foi questionado por jornalistas sobre a notícia, veiculada pela agêcia oficial do Irã (Irna), de que Teerã teria concordado com uma "proposta brasileira" como solução para o impasse.

Segundo o presidente, o Brasil está disposto a "contribuir" no processo de negociação com o Irã. "Se o Brasil puder dar uma contribuição, pode ficar certo de que nós vamos dar", disse o presidente durante uma cerimônia no Palácio do Itamaraty.

De acordo com Lula, o Brasil está "empenhado", ao lado da Turquia, nas negociações com o Irã e vem discutindo o assunto com os "principais líderes" do mundo.

Lula disse ainda que está "muito otimista" com sua viagem a Teerã, no dia 15 de maio, quando se encontrará com o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

"Estou muito otimista de ir ao Irã e tentar conversar com o presidente Ahmadinejad sobre a melhor saída", disse.

‘Mal entendido’

Durante toda a manhã, agências internacionais replicaram a notícia, originalmente publicada no site da agência oficial iraniana, de que Teerã teria concordado com uma "proposta brasileira".

Procurado pela BBC Brasil, o Ministério das Relações Exteriores disse, em Brasília, que houve um "mal entendido" e negou que o Brasil tenha oferecido uma nova proposta a Teerã.

O Itamaraty disse ainda que a "proposta brasileira" mencionada pela agência de notícias "provavelmente" se refere à posição do Brasil de tentar avançar nas negociações com o Irã tendo como base a proposta apresentada no ano passado pela AIEA.

A proposta prevê, entre outros pontos, o enriquecimento do urânio do Irã em um outro país, que depois devolveria o combustível nuclear a Teerã. Países como Rússia e Turquia têm sido os mais cotados a desempenhar esse papel.

Notícias relacionadas