Zona do euro aprova oficialmente ajuda à Grécia

Símbolo do euro
Image caption Barroso disse que euro será defendido a todo custo

Os chefes de governo dos 16 países que compõem a zona do euro aprovaram, em um encontro em Bruxelas, o pacote de 110 bilhões de euros, em parceria com o Fundo Monetário Internacional (FMI), de ajuda à Grécia para tentar impedir o alastramento da crise financeira que atinge o país.

O pacote, que deve ser entregue ao país ao longo de três anos, já havia sido prometido ao governo grego e foi oficialmente aprovado durante a reunião de emergência em Bruxelas.

Em troca, o governo da Grécia deve cortar os gastos públicos e aumentar os impostos para reduzir o déficit orçamentário do país, que chegou a de 12,7% do PIB e está quatro vezes acima do previsto pelas regras da zona do euro.

Na quinta-feira, a o governo da Grécia aprovou um pacote de austeridade com algumas medidas, altamente impopulares, que visam cumprir com esses objetivos. A aprovação do pacote pelo Parlamento grego impulsionou, nesta sexta-feira, a aprovação oficial do pacote de ajuda.

Os líderes europeus concordaram ainda que discutirão, em uma reunião neste domingo, medidas especiais que serão adotadas para evitar um tumulto financeiro antes da abertura dos mercados na próxima segunda-feira.

“Nós iremos defender o euro a todo custo. Teremos vários instrumentos à nossa disposição e iremos usá-los”, disse o presidente da Comissão Europeia, o órgão executivo do bloco, Jose Manuel Barroso.

Alemanha

Horas antes do encontro, o Parlamento alemão aprovou sua parcela no resgate à Grécia no valor de até 22,4 bilhões de euros (cerca de R$ 52 bi), a maior cota dentre os países da zona do euro. O governo da Itália deu aprovação inicial à contribuição.

Muitos alemães são contra a liberação do dinheiro para a Grécia, mas a chanceler alemã, Angela Merkel, defendeu a pesada participação do país afirmando que o futuro da União Europeia está em jogo.

Ela disse que se os 27 países-membros do bloco não atuarem juntos em crises como a atual, "os mercados não serão capazes de agir".

A Itália já aprovou a liberação de 5,6 bilhões de euros do total de 14,8 bi de euros referente à sua parcela no pacote de socorro. A França também já aprovou a sua participação, com um montante igual ao total italiano.

No Brasil, o governo anunciou que deve fazer um aporte de US$ 286 milhões no FMI (Fundo Monetário Internacional), vindo das reservas internacionais do país, para ajudar a combater a crise grega.

O FMI deve entrar com cerca de 30 bilhões de euros do total de 110 bilhões de euros (equivalentes a cerca de US$ 140 bilhões) do pacote de ajuda à Grécia.

Risco de calote

O déficit público da Grécia, O pacote de socorro é visto como uma “parede de contenção” do bloco para garantir os pagamentos dos empréstimos gregos e acalmar os mercados, evitando que a crise se espalhe ainda mais para outros países.

Portugal e Espanha também enfrentam grandes déficits.

A possibilidade de a Grécia ou um desses outros países não conseguir pagar suas dívidas é considerada a maior ameaça já enfrentada pela moeda única europeia.

Violentos protestos contra essas medidas deixaram pelo menos três mortos na capital grega, Atenas, na quarta-feira.

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