Grã-Bretanha

Gordon Brown anuncia que renunciará à liderança do Partido Trabalhista

Gordon Brown (arquivo)

Brown não deixou claro quando renunciará ao cargo de premiê

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou nesta segunda-feira que pretende renunciar à liderança do Partido Trabalhista até setembro.

Brown não deixou claro, entretanto, quando renunciará ao cargo de primeiro-ministro, afirmando apenas que não tem a intenção de permanecer no cargo "por mais tempo do que o necessário para formar um governo estável".

O anúncio do atual primeiro-ministro ocorreu pouco depois da divulgação da informação de que a equipe de negociadores do partido Liberal Democrata - que desde quinta-feira negocia com o partido Conservador um possível acordo para a formação de um governo de coalizão - decidiu conversar também com os trabalhistas para discutir uma possível aliança.

Diante dos novos desdobramentos, o anúncio de Brown é interpretado no ambiente político britânico como uma medida com o objetivo de tentar facilitar um acordo entre trabalhistas e liberais-democratas.

Conversas formais

Entenda como é formado um governo em caso de Parlamento sem maioria clara

Em seu pronunciamento em frente ao número 10 de Downing Street (sede do governo britânico), Brown afirmou que deseja que seu sucessor como líder dos trabalhistas esteja no cargo já a tempo de comandar a convenção do partido, que será realizada em setembro.

"Eu não vou participar da disputa (pela liderança trabalhista), e não vou apoiar nenhum candidato", disse o primeiro-ministro.

Brown afirmou ainda que os trabalhistas darão início a conversas formais com o partido Liberal Democrata para tentar formar um governo, após terem recebido uma solicitação formal do líder liberal-democrata, Nick Clegg.

O Partido Conservador conquistou o maior número de cadeiras no Parlamento e a maioria dos votos nas eleições gerais da última quinta-feira. Desde então, os conservadores liderados por David Cameron têm mantido conversas com os liberais-democratas, mas nenhum acordo foi alcançado.

Ao lembrar que nenhum partido conseguiu maioria absoluta das cadeiras no Parlamento, Brown disse que "tem que aceitar seu papel nesse resultado".

O primeiro-ministro afirmou ainda que é do interesse do público britânico que se forme um governo "progressivo" - possivelmente uma coalizão com os liberais-democratas, terceiro maior partido do país.

Horas antes do pronunciamento de Brown, a equipe de negociadores dos liberais-democratas revelou que também se encontrou com líderes trabalhistas, em segredo, durante o fim de semana.

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De acordo com o comentarista político da BBC Nick Robinson, a presença de Gordon Brown era um dos principais obstáculos para qualquer possível acordo entre liberais-democratas e trabalhistas.

Oferta conservadora

O vice-líder do Partido Conservador, William Hague, fez uma "oferta final" ao Partido Liberal Democrata, de um referendo sobre a reforma eleitoral britânica para evitar que "outro primeiro-ministro não eleito" assuma o poder.

Hague afirmou que vai oferecer ao liberal-democrata, Nick Clegg, um plebiscito sobre a reforma do sistema eleitoral - uma das principais exigências dos liberais-democratas

Em um pronunciamento em frente à Câmara dos Comuns em Londres, Hague afirmou que um acordo com os conservadores é a única forma de garantir o "governo forte, estável" que os liberais-democratas afirmam querer, pois daria aos dois partidos, "uma maioria parlamentar segura de 76 (assentos)".

A oferta conservadora foi feita depois de o primeiro-ministro, Gordon Brown, ter feito uma oferta semelhante aos liberais-democratas.

Agora, o Partido Liberal Democrata deverá decidir qual das duas ofertas deverá aceitar.



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