Grã-Bretanha

Novo premiê prevê 'decisões difíceis' na Grã-Bretanha

David Cameron fez seu pronunciamento ao lado da mulher, Sarah

David Cameron se tornou o primeiro premiê conservador desde 97

O líder do Partido Conservador e novo primeiro-ministro da Grã-Bretanha, David Cameron, disse nesta terça-feira que há "decisões difíceis" pela frente e destacou que uma de suas tarefas será reconstruir "a confiança em nosso sistema político".

"Acredito que o que nosso país precisa agora é enfrentar nossos grandes desafios, enfrentar nossos problemas, tomar decisões difíceis, conduzir as pessoas nessas decisões, para que, juntos, possamos chegar a tempos melhores no futuro", afirmou, em seu primeiro discurso após assumir o cargo.

Cameron – que, aos 43 anos, se tornou o mais jovem premiê britânico desde 1812 – prometeu deixar diferenças partidárias de lado para formar um governo de coalizão com os liberais-democratas.

"Em termos de futuro, nosso país tem um Parlamento sem maioria, no qual nenhum partido tem uma maioria geral, e nós temos um problema profundo e urgente, um enorme déficit, profundos problemas sociais e um sistema político que precisa de uma reforma",

"Por estas razões, meu objetivo é formar uma coalizão adequada e completa entre os conservadores e liberais-democratas. Acredito que esta seja a forma certa de dar a este país o governo forte, estável, bom e decente que acredito que precisamos tanto."

"Nick Clegg (líder dos liberais-democratas) e eu somos líderes políticos que querem deixar de lado as diferenças partidárias e trabalhar duro para o bem comum e os interesses do país", acrescentou.

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Acordo

Gordon Brown e sua mulher durante pronunciamento sobre a renúncia ao cargo

Brown disse a partidários trabalhistas que era culpado por resultado em eleições

O Partido Conservador esteve envolvido nos últimos dias em uma negociação com o Liberal Democrata - que também chegou a negociar com o partido do agora ex-primeiro-ministro Gordon Brown, o Trabalhista - depois de as eleições gerais da semana passada resultarem em um Parlamento sem maioria.

Nick Clegg precisa agora conseguir o apoio da maioria de seus parlamentares e da direção de seu partido antes de entrar em uma coalizão.

Nesta terça-feira, os liberais-democratas afirmaram que as negociações para a formação de uma coalizão com os trabalhistas fracassaram pois "o Partido Trabalhista nunca levou a sério a possibilidade de formar um governo reformista e progressivo".

Um porta-voz dos liberais-democratas afirmou que membros importantes da equipe de negociação dos trabalhistas "deram a impressão de querer que o processo fracassasse" e que o partido "não tentou" chegar a uma abordagem em comum em questões como verbas para escolas e reforma tributária.

No entanto, Peter Mandelson, ex-ministro dos Negócios e membro do Partido Trabalhista, disse à BBC que o partido estava "pronto" para um acordo com os liberais-democratas, mas eles "criaram tantas barreiras e obstáculos, que talvez eles pensaram que seus interesses estivessem do lado conservador ao invés do lado progressivo".

Renúncia

Depois que ficou claro que a tentativa de um acordo para uma coalizão com os liberais-democratas tinha fracassado, Gordon Brown entregou sua renúncia e afirmou que desejava o melhor para o próximo primeiro-ministro.

Em um pronunciamento emocionado em frente ao número 10 de Downing Street, Brown agradeceu aos ministros e funcionários, à esposa Sarah e aos filhos, e se dirigiu ao Palácio de Buckingham para entregar sua renúncia à rainha Elizabeth 2ª.

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Brown afirmou que foi "um privilégio servir (como primeiro-ministro)" e acrescentou que adorou o trabalho "não pelo seu prestígio, seus títulos e cerimonial, os quais eu não gosto de jeito nenhum". "Adorei este trabalho por seu potencial para tornar este país que amo melhor, mais tolerante, mais verde, mais democrático, mais próspero e mais justo."

Mais tarde, na sede do Partido Trabalhista, ele agradeceu também ao ativistas do partido e aos parlamentares por seus esforços e acrescentou que o desempenho do partido nas eleições gerais tinha sido "minha culpa, apenas minha culpa".



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