FMI alerta para risco de déficit pós-crise em países desenvolvidos

Mercado financeiro em Frankfurt, Alemanha
Image caption Mercados financeiros temem impacto de medidas de austeridade

O Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta os países desenvolvidos, em relatório divulgado nesta sexta-feira, sobre a necessidade de controlar "com urgência" os déficits orçamentários para evitar o risco de enfrentar um período sem crescimento.

"À medida que as economias se recuperam lentamente, agora é urgente começar a aplicar medidas para garantir que o aumento do déficit e das dívidas resultantes da crise não leve a problemas de sustentabilidade fiscal", afirma o documento.

"Se a dívida pública não for reduzida para os níveis de antes da crise, o crescimento potencial em economias avançadas poderá cair em meio porcento anual, um efeito considerável quando for acumulado durante vários anos."

Para o FMI, enquanto as "condições econômicas melhoram, a atenção dos responsáveis pelas políticas (econômicas) deve se voltar para garantir que as dúvidas sobre a solvência fiscal não se transformem na causa de uma nova perda de confiança".

A instituição lembra ainda que as recentes perdas na Europa "indicaram claramente que este risco não pode ser ignorado".

Queda do euro

Os mercados internacionais registraram quedas nesta sexta-feira, em meio a temores em relação ao impacto das medidas de austeridade financeira anunciadas por Grécia, Portugal e Espanha e de que a crise possa atingir o resto da economia europeia.

O euro atingiu seu nível mais baixo em um ano e meio em relação ao dólar, chegando ao valor de US$ 1,2423 - o menor desde novembro de 2008.

O índice FTSE 100 de Londres fechou em queda de 3,1%, e as ações em Madri registraram baixa de 6,6%. O índice Cac, de Paris, terminou com queda de 4,6%, e o Dax, de Frankfurt, caiu 3,1%.

Em Nova York, o índice Dow Jones fechou em queda de 1,51% enquanto o índice da Stand and Poor perdeu 21.76 ou1,88%. O índice Nasdaq caiu 47,5 pontos ou 1,98%.

Em São Paulo, a Bovespa fechou em queda de 2,1%, a maior desde 6 de maio. O real enfraqueceu-se 1,4% em relação ao dólar, sendo cotado a R$ 1.8007 por dólar.