Para UE, acordo não esclarece dúvidas sobre programa nuclear do Irã

Instalação para enriquecimento de urânio de Isfahan, no Irã (AP/Arquivo)
Image caption Bloco critica falta de clareza a respeito de programa iraniano

A União Europeia (UE) considera que o acordo mediado por Brasil e Turquia com o Irã “não resolve o problema fundamental” do programa nuclear iraniano: a falta de clareza a respeito de seus objetivos.

“A comunidade internacional continua com sérias dúvidas sobre as intenções do Irã”, afirmou Maja Kocijancic, porta-voz da Alta Representante para Política Exterior da UE, Catherine Ashton, em entrevista à BBC Brasil.

Kocijancic ressaltou que a UE ainda não conhece os detalhes do acordo, mas considera que se trata de uma variante de uma proposta já feita pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA, órgão da ONU) em outubro passado, rejeitada pelo Irã.

“Se isso se confirmar, o fato de que o Irã está disposto a aceitar agora uma variante da proposta da AIEA é um bom sinal, mas não resolve o problema fundamental de seu programa nuclear”, disse.

A principal questão, segundo a porta-voz, é “a falta de disposição do país em se comprometer seriamente com as negociações e sua negativa em cumprir as resoluções já adotadas pela ONU e pela AIEA” na tentativa de dissipar as suspeitas a respeito do caráter pacífico de seu programa nuclear.

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Diálogo

Kocijancic também recordou que o histórico das negociações com o Irã mostra “resultados confusos”, por isso é difícil prever se o país respeitará os termos acordados com a intermediação do Brasil. “É esperar para ver”, disse.

Segundo ela, Catherine Ashton continua disposta a se reunir pessoalmente com as autoridades iranianas para resolver esse problema e ainda defende a negociação de uma “solução de duas vias”: que o Irã concorde em abandonar seu programa nuclear em troca de cooperação econômica.

Mas caso Teerã volte a recusar o diálogo, a UE apoiaria a adoção de novas sanções pelo Conselho de Segurança da ONU, afirmou Kocijancic.

Sobre o papel do Brasil como intermediário da questão nuclear iraniana, a porta-voz reconheceu que foi “decididamente útil” neste caso, mas recordou que a UE defende que o problema seja resolvido com a participação da AIEA pelo Conselho de Segurança da ONU, do qual o Brasil não é um membro permanente.

Pelo acordo anunciado nesta segunda-feira, o Irã se compromete a enviar 1,2 tonelada de urânio de baixo enriquecimento (3,5%) para a Turquia em troca de combustível para um reator nuclear a ser usado em pesquisas médicas em Teerã.

Entenda o acordo e a polêmica sobre o programa nuclear do Irã

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