Obama deve formar comissão para investigar vazamento no Golfo do México

Barack Obama e Ken Salazar na Casa Branca
Image caption Obama formaria comissão para avaliar práticas da indústria de petróleo

O presidente americano, Barack Obama, vai estabelecer uma comissão para investigar o vazamento de petróleo no Golfo do México, segundo informações de agências de notícias.

Autoridades da Casa Branca, citadas em anonimato pelas agências, afirmaram que a comissão presidencial seria estabelecida por Obama por ordem executiva e examinaria, além do acidente, as práticas da indústria do petróleo e o papel do governo no desastre.

A comissão seria parecida com a estabelecida para investigar o desastre com o ônibus espacial Challenger em 1986 e iria analisar a segurança das plataformas e regulamentação do governo.

A notícia da comissão para investigar o incidente foi divulgada no momento em que autoridades informaram ao Senado americano que a mancha de petróleo poderá chegar ao Estado americano da Flórida.

Um representante da Guarda Costeira dos Estados Unidos, o almirante Peter Neffenger, disse nesta segunda-feira que o petróleo poderá chegar à costa da Flórida. Mas, em seu depoimento, Neffenger afirmou que o petróleo que chegar na costa do Estado da Flórida poderá vir na forma de bolas de alcatrão, que são "um poucos mais fáceis de lidar".

Neffenger deu seu depoimento no Comitê de Segurança Nacional e Negócios Governamentais do Senado americano. O almirante afirmou que o governo está acompanhando de perto a situação para saber se o petróleo vai entrar na corrente marítima que se move em volta da Flórida.

"Atualmente (a corrente) pode estar em torno de 40-50 milhas (65 a 80 quilômetros) da ponta sul da mancha", afirmou.

"Estamos monitorando cuidadosamente e, como resultado disso, estamos nos preparando para o impacto potencial na costa sul da Flórida e para o impacto em volta da costa sul da Flórida."

A secretária americana de Segurança Interna, Janet Napolitano, também participou da audiência desta segunda-feira e afirmou que o governo está monitorando a corrente perto da costa da Flórida.

"...Se nós observarmos que o petróleo realmente está começando a se mover na direção da corrente, vamos iniciar algumas ações com dispersantes (químicos) e barreiras, como se a própria corrente fosse uma parte da costa", afirmou.

Mil barris

Image caption Bolas de alcatrão que já foram encontradas no Mississippi

A explosão da plataforma Deepwater Horizon, no dia 20 de abril, originou o vazamento. A plataforma era de propriedade da companhia Transocean, que também a operava.

Mas a plataforma trabalhava em nome da companhia petroleira britânica British Petroleum (BP) a 77 km da costa do Estado da Louisiana.

Na explosão, 11 funcionários da plataforma desapareceram e, desde que ela afundou, dias depois da explosão, milhares de barris de petróleo estão vazando.

No domingo, a BP anunciou que estava conseguido começar a bombear o petróleo que está vazando. Os minissubmarinos usados pela petroleira inseriram um tubo de 15 centímetros de diâmetro dentro da tubulação avariada, ligando o vazamento a um navio petroleiro.

Nesta segunda-feira a BP informou que está conseguindo canalizar o equivalente a mil barris de petróleo por dia para um petroleiro. Esta quantidade seria equivalente a um quinto do total estimado pela Guerda Costeira e pela BP que estaria vazando do oleoduto, 5 mil barris diários

O petróleo já chegou a três Estados americanos: Mississipi, Lousiana e Alabama.

O vazamento de petróleo no Golfo do México já fez com que e uma autoridade do governo americano, responsável pela supervisão de perfurações de poços de petróleo na costa do país deixasse o cargo. Chris Oynes anunciou sua aposentadoria e afirmou que deixa o cargo até o fim do mês.

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