Sanções deixarão potências ‘desacreditadas’, diz chefe da agência nuclear iraniana

Ali Akbar Salehi conversa com o presidente Mahmoud Ahmadinejad ao lado do presidente Lula
Image caption Salehi (ao centro) participou do anúncio do acordo de segunda-feira

O vice-presidente iraniano e chefe da agência atômica do país, Ali Akbar Salehi, afirmou nesta quarta-feira que as grandes potências mundiais ficarão “desacreditadas” se seguirem adiante com a proposta de adoção de novas sanções contra o Irã na ONU apesar do acordo anunciado na segunda-feira com o Brasil e a Turquia.

Para ele, as discussões sobre sanções se arrefeceram após o anúncio do acordo, e a nova proposta de resolução apresentada ao Conselho de Segurança da ONU “é um último esforço do Ocidente”.

“Eles sentem que pela primeira vez no mundo os países em desenvolvimento são capazes de defender seus direitos na arena internacional sem recorrer às maiores potências, e isso é o que é difícil para eles”, afirmou Salehi após uma reunião de gabinete, segundo o relato da agência semi-oficial Fars.

Outro importante membro do governo iraniano, Mojtaba Samareh-Hashemi, assessor-sênior do presidente Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que uma resolução da ONU por sanções não teria legitimidade.

“A proposta em discussão no Conselho de Segurança das Nações Unidas não tem nenhuma legitimidade”, disse ele, segundo a agência Fars.

‘Caminho irracional’

O chefe da agência nuclear iraniana disse ver poucas chances de sucesso na aprovação de uma resolução com novas sanções.

“Deveríamos ser pacientes, porque eles não terão sucesso. Por tentarem a aprovação de uma nova resolução, eles ficarão desacreditados diante da opinião pública”, afirmou Salehi.

“Acho que há algumas pessoas racionais entre eles que os impedirão de tomar esse caminho irracional”, disse ele.

Os Estados Unidos anunciaram na terça-feira que os países do Conselho de Segurança da ONU chegaram a um acordo sobre uma proposta de resolução prevendo novas sanções contra o Irã.

O anúncio americano foi feito um dia após a divulgação do acordo mediado pelo Brasil e pela Turquia que estabelece o envio de urânio do Irã para fora do país e sua troca por combustível nuclear.

Leia mais: EUA anunciam acordo no Conselho da ONU para sanções contra Irã

O Brasil, que atualmente ocupa uma das dez cadeiras não-permanentes do Conselho de Segurança, se recusou a discutir a proposta apresentada pelos Estados Unidos por sanções contra o Irã.

Leia mais: Brasil se recusa a discutir sanções contra o Irã

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