Em Portugal, Lula diz que ajuda à Grécia veio tarde

O presidente Lula em Portugal
Image caption O presidente Lula passou cinco horas em Portugal antes de voltar ao Brasil

O presidente Lula disse nesta quarta-feira em Portugal que a ajuda da União Europeia à Grécia chegou tarde.

"Eu, sinceramente, não conheço um economista que me explique porque a União Europeia demorou três meses para tratar da questão da Grécia", afirmou ele ao final da 10ª Cúpula Luso-Brasileira em Lisboa.

Lula também criticou a atuação dos Estados Unidos durante a crise e a falta de regulamentação do sistema financeiro.

"Eu não consigo compreender porque deixaram o Lehman Brothers quebrar, ficaria muito mais barato tentar encontrar uma saída enquanto ele estava funcionando. Não consigo entender porque os países ricos não têm uma regulamentação do sistema financeiro mais dura, como por exemplo no Brasil, onde o sistema financeiro não pode alavancar mais de dez vezes o seu patrimônio líquido."

Lentidão

Dirigindo-se ao primeiro-ministro português José Sócrates no meio do discurso, ele reclamou que as decisões do G-20 (grupo dos 20 países com as maiores economias) não são aplicadas.

"Eu faço parte do G-20, Sócrates, e as coisas têm sido muito lentas. As nossas decisões não são implementadas porque nós não temos uma governança global, nenhuma instituição multilateral que possa obrigar que as coisas sejam cumpridas", disse ele.

"Os prejuízos são globais, as políticas comerciais são globais, os bancos centrais têm decisoes que são globais, mas na verdade a aplicação dessas medidas são no plano individual."

Terminando a viagem de oito dias por cinco países da Europa e da Ásia, o presidente teve uma agenda corrida em Portugal, onde chegou no meio da tarde e teve uma reunião de meia hora com o presidente português, Aníbal Antônio Cavaco Silva.

Prêmio

Em seguida, participou da entrega do Prêmio Camões – o mais importante para escritores de língua portuguesa, oferecido por Portugal e Brasil, no valor de 100.000 euros. Este ano, o vencedor foi o escritor cabo-verdiano Armênio Vieira.

Depois, teve a 10ª Cúpula Luso-Brasileira, que deveria durar 70 minutos, mas chegou a quase duas horas.

No final da reunião, foram assinados sete acordos: um para o projeto de produção de biodiesel entre a Petrobras e a petrolífera portuguesa Galp; a aquisição da empresa brasileira Geovision pela construtora portuguesa Mota-Engil; um acordo para a formação de profissionais e pesquisa de petróleo em águas profundas no Atlântico Norte; um protocolo de cooperação sobre doping; um memorando sobre igualdade de gênero; e um acordo de cooperação técnica para a o saneamento e o tratamento de resíduos urbanos para o Rio de Janeiro, com vista à Copa e às Olimpíadas.

O dia terminou com um jantar oferecido pelo governo português.