Acordo com Irã abre caminho para saída diplomática, diz chefe da ONU

Image caption Ban disse que a Agência Nuclear da ONU vai examinar o acordo

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, disse nesta sexta-feira que espera que o acordo aprovado pelo Irã com mediação do Brasil e da Turquia possa abrir caminho para que seja resolvida, por meios diplomáticos, a polêmica sobre o programa nuclear do país persa.

Em um discurso em Istambul, Ban disse que a iniciativa foi importante “para resolver as tensões internacionais”.

“Já mencionei o bem-vindo papel da Turquia, trabalhando juntamente com o Brasil, em relação ao Irã”, ressaltou.

"Esperamos que esta e outras iniciativas abram caminho para uma solução negociada."

Ban disse que a Agência Internacional de Energia Atômica, um órgão da ONU, deve agora dar seu parecer sobre o acordo.

Entenda a polêmica sobre o programa nuclear iraniano

Carta

Também na sexta-feira, o governo turco divulgou detalhes da carta enviada pelo premiê da Turquia, Tayyp Erdogan, ao presidente americano, Barack Obama, na qual ele ressalta a relevância do acordo.

"A declaração não encerra o caso do programa nuclear iraniano, mas abre uma importante porta para uma solução por meios diplomáticos", escreveu Erdogan.

"A Turquia continuará seus esforços para (encontrar) uma solução para o problema."

Esta semana, Erdogan conversou por telefone com Obama, o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin e o novo premiê britânico, David Cameron, países-membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, com direito a veto.

Na terça-feira, um dia após o anúncio do acordo, os EUA circularam um esboço de resolução entre os países do Conselho, pedindo uma quarta rodada de sanções econômicas e diplomáticas devido ao programa nuclear do Irã.

Analistas acreditam que, dos 15 países integrantes do órgão da ONU, apenas três, Brasil, Turquia e Líbano, todos com assentos temporários, não aprovariam a resolução com as sanções.

Ainda na sexta-feira, o Irã acusou os Estados Unidos de abusarem sua posição de país-sede da ONU, por negar visto de entrada para o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano.

Os Estados Unidos não comentaram as alegações.

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