Ministros querem punir países da UE que não controlarem dívidas

Angela Merkel
Image caption Angela Merkel enfrenta críticas por sua condução da crise europeia

Os ministros das Finanças dos países da União Europeia (UE) reconheceram nesta sexta-feira a necessidade de impor punições aos países do grupo que não controlarem suas dívidas.

Reunidos em Bruxelas, os ministros discutiram formas de combater a atual crise financeira, desencadeada pelos grandes déficits orçamentários em alguns países do bloco, em especial a Grécia, e pela queda na cotação do euro.

Eles concordaram com a posição defendida pela Alemanha de que os orçamentos têm que ser equilibrados, e disseram que os países que não seguirem essa orientação podem não receber verbas da UE ou terem suspenso o direito de voto nas decisões do bloco.

O presidente do Conselho Europeu, Herman van Rompuy, disse que os ministros também concordaram em procurar formas de diminuir as diferenças de competitividade entre os países-membros e discutiram o estabelecimento de um mecanismo eficaz de gerenciamento de crises econômicas.

Rompuy disse que a reunião "foi apenas o início do processo" para aplicar estas políticas e que "há uma forte vontade política entre os ministros das Finanças da União Europeia".

‘Lições’

O presidente do Conselho Europeu afirmou que os ministros, que formam uma força tarefa para discutir os problemas econômicos do bloco, querem "tirar lições" da atual crise.

"No passado, medidas corretivas foram tomadas tarde demais, os instrumentos legais disponíveis não eram suficientemente usados", disse. "Por isso precisamos agir de formas diferentes."

A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, afirmou que a força tarefa deve se "concentrar no que pode ser feito rapidamente".

"Vamos continuar nos concentrando no que podemos alcançar no curto prazo, pois o que realmente nos guia no momento é sermos pragmáticos", acrescentou.

A força tarefa da União Europeia reúne ministros das Finanças de todos os 27 países integrantes do bloco, o presidente do Banco Central Europeu, Jean-Claude Trichet, o comissário europeu para Economia e Negócios Financeiros, Olli Rehn, o presidente do Eurogroup, Jean-Claude Juncker, e Heman van Rompuy.

O mercado financeiro europeu voltou nesta sexta-feira novamente a registrar perdas, em mais um sinal de desconfiança dos investidores em relação aos rumos da economia no bloco.

Os principais índices dos mercados da Grã-Bretanha, França e Alemanha registraram perdas de mais de 2% no início da tarde.

O índice FTSE 100 da bolsa de Londres encerrou o pregão desta sexta-feira com queda de 0,2%. O DAX, da Alemanha, fechou em queda de 0,66%, e o CAC, de Paris, terminou em -0,05%.

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