Corpos de família brasileira assassinada na Holanda seguem para o Brasil

Caixão com o corpo de Sávio. Crédito: Ira Coolsma/Casa Brasil Holanda
Image caption Corpos chegam ao Brasil na terça-feira; ainda não há dinheiro para pagar o enterro.

Os corpos dos três paraenses assassinados na noite do último dia 13, na cidade holandesa de Enschede, vão seguir para o Brasil nesta segunda-feira e devem chegar na madrugada de terça-feira ao aeroporto de Val-de-Cans, em Belém.

De acordo com o cônsul do Brasil em Roterdã, Manoel Gomes Pereira, os corpos de Adriana Corrêa Barros, de 36 anos, Carolina Corrêa Marques, de 18, e Sávio Barros da Silva, de nove, foram liberados pelas autoridades policiais holandesas para o traslado.

Segundo a ONG Sodireitos, sediada em Belém, a família de Adriana ainda não tem recursos financeiros para enterrar os corpos. O coordenador da entidade, Marcel Hazeu, vai acionar o governo do Pará e empresários para conseguir esses recursos.

Investigações

As autoridades holandesas continuam investigando como o crime foi cometido. Segundo a polícia da província de Overijssel, o principal suspeito continua sendo o ex- companheiro de Adriana, o italiano Christian Daga, de 33 anos.

Adriana participava da festa do filho Sávio juntamente com a irmã Carolina, que os visitava, e outros quatro convidados, quando Daga teria invadido o apartamento da brasileira.

De acordo com a família de Adriana, ela estaria separada do italiano há três anos e já teria feito várias queixas na polícia contra Daga, que teria chegado a ficar preso por dois dias no início do mês.

Na noite do crime, a polícia da província de Overijssel teria sido acionada por volta das 23h, mas teria chegado ao apartamento de Adriana momentos antes de o italiano abrir fogo contra os três brasileiros. Ele teria se suicidado em seguida.

Os outros dois adultos e duas crianças na festa teriam testemunhado toda a cena e ficado muito abalados. Eles foram atendidos pelas autoridades de saúde holandesas.

Negligência

Adriana, que fazia um curso profissionalizante, morava na Holanda desde 2003, onde conheceu Christian Daga. Na ocasião, havia deixado o filho, Sávio, com o pai, no Brasil, mas levou o menino para a Holanda em 2006.

Adriana e o filho eram naturalizados holandeses. Segundo amigos próximos, Sávio teria se integrado rapidamente à sociedade holandesa e em todas as férias escolares Adriana o levava para visitar a família no norte do Brasil.

“Uma educação de qualidade para Sávio era o motivo de Adriana para permanecer no país”, disse à BBC Brasil uma amiga que preferiu não se identificar.

A família de Adriana disse à BBC Brasil que não consegue entender como Christian Daga ainda estava em liberdade, mesmo com as queixas contra ele. A família acusa a polícia holandesa de negligência.

Segundo sua mãe, a professora aposentada Teresinha Barros, no último dia 4 de maio o italiano foi preso por dois dias, mas foi solto em seguida. Na ocorrência policial foi registrado que o italiano, no entendimento da polícia, “não apresentava perigo para Adriana ou ao menino”.

Cortejo

A comunidade brasileira realizou na última terça-feira um cortejo de despedida para as vítimas e segundo a ONG brasileira Casa Brasil Holanda, com sede em Dordrecht, pelo menos 700 pessoas estiveram presentes, incluindo colegas da escola e do clube de futebol onde Sávio treinava. Futebol era a grande paixão do menino.

A região da Holanda onde o crime ocorreu concentra uma grande parte da comunidade de cerca de 22 mil brasileiros que, segundo o cônsul do Brasil em Roterdã, Manoel Pereira da Silva, vivem atualmente em território holandês.

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