Sob tensão, bolsas europeias abrem em baixa

Homens observam quadro de cotações da Bolsa de Valores de Tóquio
Image caption Mercados temem que a crise grega se espalhe e contamine economia mundial

Os mercados financeiros europeus abriram em baixa nesta sexta-feira diante do temor de que a crise com a dívida da Grécia se espalhe pelo continente e acabe contaminando a economia mundial.

Às 11h10 de Londres (7h10 de Brasília), o índice FTSEurofirst 300, que reúne as 300 maiores companhias europeias, caía 0,85%.

No mesmo horário, a Bolsa de Paris operava em baixa de 0,59%, e a Bolsa de Frankfurt registrava queda de 1,07%. O principal índice da Bolsa de Londres tinha uma retração de 0,61%.

Na Ásia, o índice Nikkei, da Bolsa de Valores de Tóquio, fechou com baixa de 2,45% nesta sexta-feira, caindo ao seu menor nível em cinco semanas, enquanto o Hang Seng, da Bolsa de Hong Kong, registrou queda de 0,17%.

Na quinta-feira, a Bolsa de Valores de Nova York registrou uma queda de 3,6% no seu índice Dow Jones, a maior queda em um dia desde fevereiro de 2009.

Encontro em Bruxelas

Uma comissão formada por ministros das Finanças de países da União Europeia (UE) se reúne nesta sexta-feira em Bruxelas, na Bélgica, para discutir formas de evitar o aprofundamento da crise nos países da zona do euro e a ameaça à estabilidade da moeda comum europeia.

Várias possibilidades estão sendo consideradas, mas todas elas tornariam a UE responsável por avaliar os procedimentos dos orçamentos de cada um dos países que adotam o euro.

Uma das propostas prevê que os países enviem seus orçamentos para a inspeção da UE antes mesmo do envio aos Parlamentos nacionais.

Outras ideias incluem a suspensão do repasse de fundos da UE aos países que se endividarem excessivamente e a introdução de uma espécie de “placar” para os países do bloco, para identificar antecipadamente os países em dificuldades financeiras.

O Parlamento alemão se prepara nesta sexta-feira para votar o pacote de 750 bilhões de euros (cerca de R$ 1,725 trilhão) de ajuda aos países da região com dificuldades, aprovado em conjunto com o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI) no início do mês com o intuito de tentar acalmar os mercados financeiros internacionais.

O secretário do Tesouro americano, Tim Geithner, anunciou que visitará a Grã-Bretanha e a Alemanha na próxima semana para discutir a situação econômica dos países europeus e as medidas que têm sido tomadas para restaurar a estabilidade financeira.

Projeto americano

Na quinta-feira, o Senado americano aprovou um projeto que prevê a mais ampla reforma da legislação financeira do país desde a época da Grande Depressão, nos anos 1930.

As medidas têm como objetivo evitar a repetição da crise financeira de 2008, que obrigou o governo a injetar bilhões de dólares de recursos públicos no sistema bancário para evitar seu colapso.

O projeto de lei prevê a criação de uma instituição de proteção ao consumidor, a limitação do tamanho dos bancos e dos riscos que instituições financeiras podem assumir, uma maior transparência do sistema, uma maior supervisão do mercado de derivativos, entre outras medidas.

A aprovação do projeto, que ainda precisa ser adaptada para se unir à versão aprovada pela Câmara dos Representantes, é uma vitória para o presidente Barack Obama, que afirmou que operadores de Wall Street tentaram, sem sucesso, impedir a reforma.