Irã entrega à AIEA acordo mediado por Brasil e Turquia

Instalação nuclear de Bushehr, no Irã
Image caption Irã alega que seu programa nuclear tem fins pacíficos

A agência nuclear da Organização das Nações Unidas (ONU) confirmou nesta segunda-feira ter recebido do governo do Irã uma carta aceitando o acordo sobre o programa nuclear do país mediado por Brasil e Turquia.

Uma nota oficial da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) em Viena, na Áustria, afirmou que o seu diretor-geral, Yukiya Amano, se reuniu como representantes dos três países nesta segunda-feira. O documento agora deve ser avaliado por Estados Unidos, França e Rússia.

Um representante da embaixada brasileira em Viena confirmou à BBC Brasil que a reunião aconteceu na manhã desta segunda-feira na capital austríaca.

As autoridades de Irã, Brasil e Turquia entregaram a Amano a carta assinada pelo chefe da organização de energia atômica iraniana, Ali Akbar Salehi.

No programa de rádio "Café com o Presidente" desta segunda-feira, Luiz Inácio Lula da Silva disse que o que foi acordado com Brasil e Turquia começa a ser cumprido agora.

"Depois da carta, vêm as conversas com a agência, vem o depósito do urânio na Turquia e depois, aí, o prazo para que o Irã receba já o urânio enriquecido. Então, se isso acontecer, é o cumprimento da primeira parte do nosso acordo", afirmou Lula.

O presidente ressaltou que o Brasil não foi ao Irã para negociar um acordo nuclear, já que o Brasil "não tem procuração para isso".

"Obviamente que esse plano é a abertura para começar as negociações. Então, acho que foi dado um passo importante."

Na segunda-feira passada, os três países anunciaram uma proposta de acordo que prevê o envio de 1,2 mil quilos de urânio iraniano enriquecido a 3,5% à Turquia. Em troca, o Irã receberia o urânio já enriquecido a 20%, para uso hospitalar.

Na terça-feira passada, um dia após o anúncio do acordo, os EUA circularam um esboço de resolução entre os países do Conselho de Segurança da ONU, pedindo uma quarta rodada de sanções econômicas e diplomáticas devido ao programa nuclear do Irã.

Image caption Larijani afirma que, com aprovação de sanções, acordo pode ser abandonado

Analistas acreditam que, dos 15 países integrantes do órgão da ONU, apenas três, Brasil, Turquia e Líbano, todos com assentos temporários, não aprovariam a resolução com as sanções.

Ameaça

O Irã ameaçou rever seus laços com a AIEA se o Conselho de Segurança aprovar as novas sanções contra o país.

O presidente da Assembleia Consultiva Islâmica, Ali Larijani, acusou os Estados Unidos de ignorar o acordo fechado em Teerã, com a mediação do Brasil e da Turquia.

Em um discurso transmitido pela televisão estatal iraniana, Larijani afirmou que as ações americanas poderão fazer com que o Irã abandone o acordo.

"Isto iria estragar todos os esforços feitos pela Turquia e pelo Brasil e isto (o acordo) poderia ser deixado de lado, completamente."

"E, nestas circunstâncias, o Parlamento iraniano vai tomar outras medidas no sentido do nível de cooperação entre o Irã e a AIEA", acrescentou.

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