Confrontos nas ruas deixam dois policiais mortos na Jamaica

Imagens de televisão mostraram delegacia em chamas em Kingston
Image caption Imagens de televisão mostraram delegacia em chamas em Kingston

Dois policiais foram mortos e outros seis ficaram feridos em confrontos violentos na capital da Jamaica, Kingston, no domingo, segundo a polícia.

Os policiais teriam sido alvejados por homens armados ao atender um pedido de socorro de uma motorista por volta de 23h30 (horário local). Eles foram levados a um hospital, mas dois não resistiram aos ferimentos.

Simpatizantes de Christopher "Dudus" Coke, acusado pelas autoridades americanas de ser o líder de uma quadrilha de tráfico internacional, realizaram manifestações nas ruas em protesto contra os planos de extraditar o criminoso para julgamento nos Estados Unidos.

Por causa dos confrontos nas ruas, o governo declarou estado de emergência em partes de Kingston.

O primeiro-ministro jamaicano, Bruce Golding, classificou os protestos como "agressão calculada contra a autoridade do Estado que não pode ser tolerada".

Golding disse ainda que as forças de segurança estão "se mexendo rapidamente para controlar a situação atual". "Elementos criminosos inclinados à violência e ao caos serão detidos", afirmou em discurso na televisão.

Cidade sitiada

De acordo com o correspondente da BBC em Montego Bay, Nick Davis, a capital "está sitiada". O bairro mais afetado é o de Tivoli Gardens, na zona oeste de Kingston – que elegeu Golding deputado – e Saint Andrew.

Nos dois locais, há grande apoio a Coke, que se intitula "líder comunitário". Os simpatizantes de Coke montaram barreiras nas ruas com carros destruídos e arame farpado. Pelo menos uma delegacia foi incendiada.

Segundo Nick Davis, o apoio a Coke vem de pessoas que acreditam que ele esteja cumprindo o papel do Estado ao prestar serviços como financiamento para crianças.

Image caption Coke é acusado de ser chefe do tráfico de drogas

No entanto, o Departamento de Justiça americano afirma que o homem é um dos líderes do tráfico mais perigosos do mundo.

Coke é acusado de liderar uma quadrilha chamada "Shower Posse" (Bando da Ducha, em tradução literal, em alusão ao número de balas disparadas em tiroteios), com ramificações internacionais.

Se ele for condenado nos Estados Unidos, pode ser condenado à prisão perpétua. A quadrilha também é acusada de vários crimes na Jamaica e no Estados Unidos.

Os conflitos nas ruas começaram depois que Golding afirmou estar disposto a extraditar Coke. Antes, o primeiro-ministro afirmava que as provas contra o acusado teriam sido obtidas ilegalmente por meio de ligações de celular interceptadas.

No entanto, Golding mudou de ideia depois de perceber que a pressão sobre ele crescia, bem como acusações de supostas ligações com Coke. O primeiro-ministro pediu desculpas ao país e admitiu que não tinha cuidado muito bem do caso.

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