Lula critica leniência com paraísos fiscais e defende diálogo com Irã

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan
Image caption Erdogan também participou da abertura do encontro com Lula

Em um discurso nesta sexta-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender o diálogo com o Irã e criticou a postura dos países ricos, acusando-os de ser lenientes em relação aos paraísos fiscais.

Falando na abertura do 3º Fórum Mundial da Aliança de Civilizações, promovido pelas Nações Unidas no Rio de Janeiro, Lula também disse que alguns países não assumem o ônus da crise econômica mundial e, nesse cenário, insistem em adotar medidas protecionistas.

"Incapazes de assumir os seus próprios erros, alguns governantes buscam transferir o ônus da crise para os mais fracos. Adotam medidas protecionistas que oneram bens e serviços exportados para países em desenvolvimento. Ao mesmo tempo em que se mostram lenientes com os paraísos fiscais, responsabilizam imigrantes pela crise social", disse Lula.

Em relação ao acordo nuclear fechado com o Irã no último dia 17 com mediação do Brasil e da Turquia, o presidente disse que buscou no país persa “uma solução negociada para um conflito que ameaça muito mais do que a estabilidade de uma região importante do planeta".

"O mundo precisa do Oriente Médio em paz, e o Brasil não está alheio a essa necessidade."

Armas nucleares

“O Brasil aposta no entendimento que faz calar as armas. Investe na esperança, que supera o medo. Posições inflexíveis só ajudam a confrontação e afastam a possibilidade de soluções de paz”, disse Lula.

Os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam o governo iraniano de usar seu programa nuclear como fachada para a fabricação de armas atômicas, alegação negada por Teerã.

Lula ressaltou que o Irã vem cumprindo os prazos ditados pelo acordo medida por Brasil e Turquia e pediu para que a agência nuclear da ONU, que recebeu detalhes da negociação, mostre "bom senso e compreenda o momento político" na hora de analisar a situação.

O presidente aproveitou para criticar a existência de arsenais nucleares, afirmando que essas armas aumentam a insegurança no mundo, além de serem "ultrapassadas e obsoletas".

“Defendemos um planeta livre de armas nucleares. E o pleno cumprimento, por todos os países, das determinações do Tratado de Não-Proliferação (TNP). Acreditamos que a energia nuclear deve ser um instrumento para a promoção do desenvolvimento, não uma ameaça.”

A declaração coincidiu com o último dia de uma conferência em Nova York que, durante este mês, buscou um acordo mundial sobre uma revisão do TNP, do qual o Brasil é signatário.

ONU

Lula discursou na abertura do evento, que contou com a participação do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, do primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, da presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e do presidente da Bolívia, Evo Morales,

Os novos comentários do presidente sobre o Irã foram feitos em um momento em que os Estados Unidos pressionam o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) para aprovar uma quarta rodada de sanções contra o Irã por conta de seu programa nuclear.

Na quinta-feira, Lula e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, classificaram as críticas ao acordo fechado com o Irã como "truculência" e "inveja".

Leia mais na BBC Brasil: Lula e Erdogan veem truculência e inveja em reação a acordo com Irã

Ainda no mesmo dia, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, disse que seu país tem divergências “muito sérias” com o Brasil em relação à abordagem da questão nuclear iraniana.

Leia mais na BBC Brasil sobre as declarações de Hillary

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