Israel rejeita reunião sobre armas nucleares no Oriente Médio

usina nuclear
Image caption As nações nucleares concordaram em reduzir seus arsenais

O governo de Israel divulgou uma nota neste sábado na qual afirma que não participará da conferência para discutir a transformação do Oriente Médio em uma zona livre de armas nucleares, proposta durante um encontro das Nações Unidas em Nova York.

Representantes dos 189 países signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) assinaram na sexta-feira um documento concordando em realizar o encontro em 2012. Na declaração, o único país citado nominalmente é Israel, que não assinou o TNPN.

O governo israelense, no entanto, classificou o documento de "profundamente falho" e "hipócrita".

"Ele ignora as realidades do Oriente Médio e as ameaças reais diante da região e do mundo todo", diz a declaração oficial, segundo a agência de notícias AFP.

"Diante da natureza distorcida desta resolução, Israel não poderá participar da sua implementação."

Visita oficial

A nota foi divulgada neste sábado no Canadá, onde o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu esteve em visita.

Essa não é a primeira vez que o governo israelense se recusa a comentar rumores de que o país teria um arsenal nuclear.

Na sexta-feira, os 189 signatários do TNP anunciaram uma declaração conjunta na qual os países que têm armas nucleares concordam em reduzir seus arsenais.

O documento de 28 páginas diz também que EUA, França, Rússia, China e Grã-Bretanha se comprometem a adotar medidas para diminuir a importância de armamentos atômicos, relatando seu progresso em 2014.

O texto fala ainda da conferência em 2012 com todos os países do Oriente Médio – incluindo o Irã - para discutir “um Oriente Médio livre de armas nucleares e outras armas de destruição em massa”.

Israel

Os países presentes na conferência também pediram que Israel assine o TNP. Acredita-se que Israel tenha um arsenal nuclear não-declarado.

Paquistão, Índia e Coreia do Norte, que declaram ter armas nucleares, também não são signatários do tratado.

Segundo analistas, a inclusão da menção a Israel no documento, uma iniciativa dos países árabes, seria uma forma de pressionar o país a abrir mão de seu possível arsenal.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, apoiou o documento, mas disse se opor “fortemente” à menção exclusiva a Israel.

O Irã pressionou para que os cinco países do tratado com arsenais nucleares reconhecidos (Estados Unidos, China, Rússia, França e Grã-Bretanha) estabelecessem um prazo para o desmantelamento de seus arsenais atômicos, mas acabou aceitando o texto assinado pelas 189 nações.

Analistas dizem que o TNP corria o risco de perder credibilidade se, neste encontro de um mês em Nova York, não tivesse chegado a um acordo.

Em sua última conferência, em 2005, o grupo não conseguiu chegar a uma declaração conjunta.

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